Criação de espaço para dança gera polêmica

A notícia da criação do CentroPaulista de Dança gerou alvoroço na classe artística. A idéia dosecretário de Estado da Cultura, Marcos Mendonça, é de reunir emum mesmo espaço livros, documentos, fotografias, programas,enfim, material de pesquisa e abrir espaço para salas de ensaioe apresentações. "Essa é uma maneira de resgatar a memória eintegrar profissionais com a população", comenta o organizador,Antônio Carlos Sartini. O espaço escolhido foi o prédio anexo à Oficina CulturalOswald de Andrade, local onde funcionava a Universidade Livre deMúsica. Para organizar de maneira democrática os cinco andaresdo prédio, foram convidados pesquisadores e representantes dasprincipais entidades ligadas à área, com representantes do Sesc,PUC, Unicamp, Universidade Anhembi-Morumbi, Escola Municipal deBailado, Sindicato dos Profissionais de Dança do Estado de SãoPaulo e da Funarte. "Essas pessoas, juntamente com apesquisadora Cássia Navas, formatarão uma proposta para ofuncionamento do Centro, bem como a utilização correta dosestúdios", diz Sartini. O prédio conta com quatro estúdios para ensaios e acomissão ditará as regras para a utilização dos mesmos. Apolêmica apareceu exatamente nesse ponto por causa de ummal-entendido. Surgiu uma história de que as salas seriamocupadas pelas companhias Stagium e Cisne Negro, que já possuemsede própria. Muitos artistas consideraram tal atitude injusta,uma vez que poucas companhias têm espaço garantido na cidade. "Tanto o Cisne Negro como o Stagium recebem um apoio daSecretaria e cada um deve receber um estúdio para desenvolveratividades com crianças carentes, no entanto, isso não estávinculado ao Centro. O que eu quero dizer é que o CentroPaulista de Dança é algo independente dessa decisão dosecretário Marcos Mendonça e será utilizado para odesenvolvimento da dança, com o propósito de atender ao maiornúmero de grupos possível", esclarece Sartini. As companhias receberão salas, mas ainda não há localnem data definidos. "Houve uma proposta do secretário sobre umespaço, o que eu achei ótimo, porque desenvolvemos um trabalhode fôlego com crianças e seria uma boa possibilidade deampliá-lo", comenta a diretora do Stagium, Marika Gidali. "Foiuma surpresa quando soube. Faremos um trabalho de ação socialcom os Meninos do Morumbi e com o Instituto Criança Cidadã, como intuito de caçar novos talentos e ensinar profissões ligadas àdança; o espaço facilitará esse processo", declara a diretorado Cisne Negro, Hulda Bittencourt. De acordo com Sartini, até o momento foram comprados 250livros, publicações estrangeiras e estabelecidos contatos comconsulados e teatros da cidade a fim de adquirir material parapesquisa, como fitas de vídeo e programas. "O custo do Centro éde R$ 250 mil, entre atividades e manutenção. Também estamosabertos a novas parcerias."

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