Crentes de que toda nudez será perdoada

"Que atire a primeira pedra quem não tiver pecados!" O verso bíblico virou hino da mulherada que tirava a roupa para os fotógrafos nos anos 80 e 90 e hoje posa para as câmeras para mostrar os milagres que a fé é capaz de fazer. Um dos feitos milagrosos da palavra do Senhor foi trazer alguns centímetros a mais para as saias da apresentadora Mara Maravilha, que trocou os trajes sumários que usava para comandar o ´Show da Maravilha´ - infantil de grande sucesso no final da década de 80 - por um visual bem comportado, com direito a blusas de gola alta e crucifixo pendurado no pescoço. "Não mudei só de religião, mudei também de caráter e de vida", diz Mara, que virou evangélica em 96, dois anos após estampar as páginas da ´Playboy´. "Me arrependi muito, e jamais tiraria a roupa outra vez." O ensaio na revista masculina mais vendida do País levou Mara ao topo de sua carreira. "Virei símbolo sexual de repente!", lembra. Mas quando o brilho passageiro da fama se apagou, a apresentadora mergulhou nos moderadores de apetite que consumia desde a adolescência e acabou em depressão. "Não sabia mais viver sem esses remédios." Contida, mas nem tantoA apresentadora Monique Evans também ficou mais comportada a partir de 97, quando virou evangélica. Mas não muito. Continua militante pró-topless na praia de Ipanema e nem pensa em abolir os decotes e as minissaias do armário. "Aceitei Jesus, mas não tive de mudar meu jeito de ser", diz. Já para suas estripulias carnavalescas, a loira definiu algumas regras. Excluiu a nudez do passado e, no último carnaval, atravessou a Marquês de Sapucaí vestindo top e saia. "Estava há quatro anos longe do meu posto de madrinha da bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel", lembra. "Não sou só um corpinho bonito, nem preciso disso para aparecer." Em 2001, Monique era uma repórter da Rede TV! quando decidiu rogar a Deus para conseguir sua própria atração. Deu certo. Tão certo que ´Noite Afora´ concorre apenas com o ´Programa do Jô´ no ibope da madrugada. "Tento mostrar que sexo não é podre e sim uma coisa boa, que vem de Deus", diz. "Tenho que divulgar para o público leigo a luz que me cerca desde que aceitei Jesus." A cantora Gretchen é outra que se diz iluminada pelos ensinamentos divinos. Coincidência ou não, ´Conga, Conga´, ´Piripiri´ e outros hits da cantora que fizeram sucesso há mais de vinte anos voltaram para o menu das rádios depois de sua conversão, em 1994. "Não é preciso abandonar a identidade artística para ser uma mulher de Deus", afirma. Gretchen continua sendo a "Rainha do Bumbum" e rebolando pelos palcos do País, só que agora em versão gospel. ´Cristo é Rei - Piripiri de Jesus´ é a primeira faixa de ´Jesus Dance´, CD que a cantora lançou em 1997. "Descobri que Deus não é punitivo, mas sim um alento para a minha estabilidade emocional." Depois do rebolado gospel, foi a vez do nu "bem intencionado". Em 2000, a cantora Simony - outra evangélica de carteirinha - tirou a roupa para a ´Sexy´ e exorcizou o que restava do rótulo de inocente amiguinha do boneco Fofão, seu companheiro de tevê nos anos 80. "Sobre religião e futebol, não quero mais falar", esquiva-se a cantora. A modelo Cristina Mortágua também joga no time das "peladas de Cristo". No início dos anos 90, exibiu suas formas curvilíneas em cinco ensaios fotográficos. Mas, em 1998, depois de uma relação amorosa frustrada com o jogador Edmundo, decidiu virar evangélica. "Mas não sou carola", adverte. "Ninguém no mundo me dita regras ou controla o que eu faço. Se um dia tiver vontade de tirar a roupa outra vez, vou tirar." Já Simone Carvalho, diva dos anos 80 e figura fácil nas revistas masculinas da época, prefere esquecer seus tempos de coelhinha. "Agora posso expor minhas idéias, não meu corpo", conta a ex-atriz, que hoje percorre o País fazendo pregações como pastora da Comunidade Cristã da Barra da Tijuca. Depois da conversão, Simone só aceita trabalhar em produções evangélicas, mas continua dando autógrafos. "Em vez de ´um beijão gostoso´, agora escrevo ´Jesus te ama´." A atriz Nicole Puzzi, rainha das pornochanchadas dos anos 80, foi mais longe. Cansada das empreitadas eróticas, tatuou o nome Jesus Cristo no dedo médio da mão direita e se diz curada da depressão que derrubou seus cabelos e afundou sua carreira em 97. "Agora, escrevo livros para as pessoas contando sobre meu resgate espiritual."

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