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Creedence nos trilhos

Reformada há 15 anos após a saída de John Fogerty, banda bate recordes de longevidade no rock

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

O baterista Doug "Cosmo" Clifford, aos 65 anos, pode testemunhar que viu o mundo do rock atravessar explosões e cataclismos, calmarias e tempestades, revoluções e involuções. Desde 1967, ele toca num dos mais longevos grupos de rock do planeta, o Creedence Clearwater Revival (desde 1995 rebatizado, após a saída do cantor e compositor John Fogerty, em 1972, como Creedence Clearwater Revisited).

São 43 anos nas baquetas - talvez apenas Charlie Watts, dos Rolling Stones, possa competir com ele em constância. O Brasil, nestes últimos 15 anos, tem sido um destino frequente, por conta do apelo nostálgico de canções como Bad Moon Rising (protótipo do rockabilly), Born on the Bayou, Have You Ever Seen the Rain?, Proud Mary, Who"ll Stop the Rain e Down on the Corner - todas compostas por Fogerty.

O Creedence, símbolo de um estilo de vida do norte-americano sulista, foi formado em 1967, em El Cerrito, Califórnia. Hoje em dia, passa seus dias lustrando aqueles hits do passado pelo mundo (boa parte do tempo, tocam em cassinos, como um tipo de Frank Sinatra do rock, cuja fama já batizou até um atacante do time do Guarani).

"Passamos 16 anos com John (Fogerty). Agora, é como se estivéssemos vivendo uma segunda vida", explicou Clifford, falando por telefone ao Estado sobre mais esta turnê pela América do Sul. Ele e seu colega Stu Cook (baixista), remanescentes da formação original do Creedence, rejeitam peremptoriamente a acusação de que não teriam o direito de levar adiante algo cuja mágica já teria sido desfeita há quase duas décadas.

"A existência deste Creedence Clearwater Revisited é uma abominação - é o equivalente a Paul e Ringo excursionarem por aí dizendo que são os Beatles", escreveu um jornalista. "Não concordo com isso, certamente. Estamos, eu e Stu, em todos os discos do Creedence, fizemos as canções com John. Não somos uma banda cover. Mas também não é o Creedence, é outra banda. Não me importo com o que os críticos dizem. São caras que adorariam ser músicos e não são. Para mim, é maravilhoso poder levar nossas canções para lugares que ainda não puderam ouvi-las ao vivo, como a China, onde estivemos recentemente. E é um público que sempre se renova, sempre há caras muito jovens na plateia. Não me importo com essa gente que fala mal. As plateias estão crescendo", afirmou.

Cosmo e o baixista Stu Cook se conhecem desde a escola primária. Eles resolveram ressuscitar o Creedence, após a saída de Fogerty, com o intuito de fazer apenas uma turnê curta. Convidaram o guitarrista Elliot Easton, ex-The Cars, e o cantor John Tristao (que, curiosidade, foi ator na série Twin Peaks). Logo estavam com uma agenda de cem concertos por ano, e não pararam mais. Só voltaram a rever Fogerty no palco em 1993, quando o Creedence entrou no Hall da Fama do Rock. Atualmente, além dos dois, o CCR tem Tristao, Steve Gunner (multi-instrumentista) e Tal Morris (guitarra) em sua formação.

De uns anos para cá, vieram os cassinos. "Durante o verão, tocamos em festivais e feiras. É principamente nos meses de janeiro e fevereiro. Quando a neve chega, isso fica mais difícil e a gente começa a fazer turnês e tocar em locais fechados", explica.

O baterista está de volta à cozinha do Creedence após um período de convalescença. "Operei o ombro em outubro de 2009, e só voltei a tocar em março. Toquei baleado durante 12 anos. Usava cortisona para levar um show até o final. Até que não teve mais jeito. Havia alguns rudimentos da música que eu não estava mais conseguindo realizar. A lesão foi natural, eu vinha tocando bateria durante os últimos 50 anos. Tive de parar. No entanto, agora tenho boas noticias para os fãs: estou tocando mais forte que nunca", anunciou. Segundo Cosmo, a cirurgia o fez se dar conta de quanto tocar é importante. "Nunca tinha passado por algo assim. No fim, não foi tão ruim", contou.

CREEDENCE CLEARWATER REVISITED

Via Funchal. Rua Funchal, 65, telefone 3846-2300. Amanhã, às 22 h. R$ 200/ R$ 300.

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