Cragun quer valorizar elenco do Municipal do Rio

O bailarino Richard Cragun está cheio deplanos e sonhos para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Eleé o novo diretor do Corpo de Baile, convidado pela secretária deCultura do Estado, Helena Severo, que quer levar para a casa seuprestígio internacional, sua experiência como bailarino e àfrente de companhias de dança (a Ópera de Berlim e o Balé deStuttgart, ambos na Alemanha) e seu conhecimento do elenco dacasa, desde os anos 70, quando era partner de Márcia Haydée eveio aqui para dançar e passear. A partir de então, Cragunvoltou todos os anos ao Brasil, até se mudar definitivamentepara o Rio, em 2001, para criar a DeAnima, com patrocínio daprefeitura. Agora, ele vai se dividir entre os dois grupos,embora o apoio municipal à sua companhia esteja sendorenegociado."A marca do balé do Municipal, a única grande companhiabrasileira com repertório clássico, é a flexibilidade e apersonalidade. Vamos explorar isso e trabalhar no que é precisomelhorar", disse ele recentemente em entrevista. "Temosbailarinos excelentes e o grupo, como um todo, ainda não está noponto, mas melhorou muito desde que o conheci. Um dos testes deuma companhia clássica é o balé Lago dos Cisnes, em quetodas as pernas ficam de fora e a técnica ou falta dela seevidência. O Lago do Municipal é bom. Ganharia nota 7, fazbonito em qualquer lugar do mundo, mas ainda tem espaço paracrescer."Por enquanto, Cragun não anuncia programação ou estrelasinternacionais, bailarinos ou coreógrafos para se apresentar noMunicipal. Ele começou a trabalhar no Theatro na semana passada,enquanto busca também apoios privados para o DeAnima. O grupofoi criado em 2001 para ser a companhia oficial do município, oque acabou não acontecendo. O dinheiro que chegou da Prefeituranão foi o prometido, mas ele e Roberto de Oliveira, seu parceiro, levaram o projeto adiante e hoje têm um corpo de 16 bailarinose 80 alunos, que já montaram três espetáculos. "No Municipal,não pretendo fazer experiências. Para isso, já existe o DeAnima,com uma equipe formada, que me permite me dividir entre osdois", avisa ele. "No Municipal, vamos dar ênfase aorepertório clássico e neoclássico e, se houver dinheiro, trazermontagens novas."Experiência - Cragun quer valorizar os bailarinos e ostécnicos do Municipal, com base em sua experiência no palco enos bastidores de companhias importantes como o Balé deStuttgart, do qual foi primeiro bailarino e assistente informalda diretora Márcia Haydée, e a Ópera de Berlim, que dirigiuentre 1996 e 1999. "Podemos remontar espetáculos que já fazemparte do repertório. Não se gasta muito e cumpre a função dobailarino, que é estar sempre no palco", comenta. "A MegeraDomada, do John Cranko, por exemplo, teve só oito récitas, comquatro protagonistas. Ou seja, cada um só dançou duas vezes,poderia ser muito mais. Como bailarino, fiz esse balé 358vezes."Outro princípio básico para Cragun é não estrearespetáculos com estrelas convidadas. "Quem faz première é oelenco fixo, que assim se valoriza", afirma. E ele conhece bema prata da casa. Depois da primeira visita em 1978, dançou comeles, em 1981, Romeu e Julieta, de John Cranko, com MárciaHaydée no papel feminino e sempre acompanhou os espetáculos."Ana Botafogo, Marcelo Misailidis, André Gomes e outrosprofissionais eram crianças quando os conheci. Acompanhei seucrescimento artístico e pessoal e posso explorar o melhor decada um. Como toda grande companhia, há os que querem progredirsempre e os satisfeitos, sem ânimo de se esforçar. O diretor temde lidar com essas diferenças. E este não é um grande problemaaqui."Como sonhar é de graça, ele gostaria de montar noMunicipal Eugéne Oneguin, de John Crank, e outros balésneoclássicos, mas precisa saber quanto vai poder gastar."Quando voltar ao Rio, vamos nos reunir com a Helena Severo eos possíveis patrocinadores", avisa ele. "Creio que ela mechamou por minha experiência no palco e nos bastidores e minhaúnica exigência foi liberdade para escolher repertório eelenco."Para este norte-americano, que viveu mais de 40 anos naAlemanha, trabalhar no Brasil era um sonho antigo. "Tive essaidéia na primeira vez que estive aqui e nunca a deixei de lado.Mas meu sonho era fazer também um trabalho social aqui e isso euconsigo no DeAnima", conta Cragun. "Nasci norte-americano,virei bailarino na Alemanha, mas meu coração sempre foibrasileiro."

Agencia Estado,

17 de fevereiro de 2003 | 15h54

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