Coxia vira palco na nova série "Cena Aberta"

A idéia é revelar ao público como é feita uma ficção. Mas esqueça o termo bastidores. Cena Aberta, programa que estréia hoje na Rede Globo, com a grife de Guel Arraes, é uma mistura de documentário e ficção. Intercala dramaturgia com imagens reais dos atores e do público que topa participar da atração. ?Não há making off porque simplesmente não existe o botão off, só o on?, explica o cineasta gaúcho Jorge Furtado, o idealizador do projeto, que terá ainda Regina Casé como diretora, apresentadora e atriz. ?Fomos gravando sem parar. Por isso, Cena Aberta não mostra os bastidores, mostra o processo de construção da ficção como parte da obra. Mostra a Carolina Dieckmann, por exemplo, aprendendo o sotaque gaúcho para o Negro Bonifácio. Mostra os testes de várias meninas para interpretar Macabéa, para A Hora da Estrela?, completa Furtado.O objetivo é levar o trabalho de pesquisa, que muitas vezes é tão ou mais interessante que a ficção, ao produto final. ?O conceito está em permitir que o documentário aponte outros caminhos para a ficção. O documentário, ao contrário da ficção, é um processo em movimento, que pode mudar, um entrevistado pode render coisas inesperadas. Na ficção, já se parte de um roteiro fechado e muda muito pouco.?Cena Aberta, parceria entre a Globo e a produtora Casa de Cinema, de Porto Alegre, da qual Furtado é sócio, terá cinco episódios baseados em contos da literatura. São eles: A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, Negro Bonifácio, de Simões Lopes Neto, As Três Palavras Divinas, de Leon Tolstoi, Pigmalião, de Bernard Shaw, e Folhetim, baseado em A Ópera de Sabão, de Marcos Rey.Um papel, vários intérpretes - Essa junção do real e do irreal, da ficção com documentário, pode causar estranheza ao público. Em Cena Aberta, as costuras são muito bem-feitas e essa mistura dá o charme ao programa. ?Não há como prever se uma atração vai dar certo ou não. Posso afirmar que há muito tempo não me sentia tão desafiado com um projeto?, afirma Guel Arraes, diretor de Núcelo da Globo e responsável pelas atrações mais inovadoras da TV. Atualmente pertencem ao seu núcleo os programas A Grande Família, Cidade dos Homens, Sexo Frágil, Os Normais (que não está mais na grade) e Casseta & Planeta, Urgente!.Macabéa, a personagem principal de A Hora da Estrela, o primeiro episódio a ir ao ar, será vivida por sete mulheres diferentes. De faxineiras a donas-de-casa, passando pelas atrizes Michelle Cabral e Ana Paula Bouzas. As cenas das desconhecidas são, na verdade, seus testes para o papel, que costuradas contarão a história da personagem. Macabéa vive um triângulo amoroso, formado também pelo namorado Olímpico de Jesus (Wagner Moura) e a amiga Glória (Regina Casé). ?Além das falas das Macabéas, há frases espontâneas ditas pelas meninas e aproveitadas em cena. O público não vai saber diferenciar?, diz Jorge Furtado.A escolha do intérprete de Nadico, de Negro Bonifácio, foi feita através de uma corrida de cavalos ? que se transformou em cena do episódio. Quem vencesse a prova ganharia o papel e o direito de beijar a atriz Carolina Dieckmann. Isso porque Nadico (Juca Licks) contracena com Tudinha (Carolina) e com Negro Bonifácio (Lázaro Ramos). Nesse episódio, Carolina e Lázaro (os atores e não seus personagens) têm aulas com gaúchos para aprimorar o sotaque e visitam um Centro de Tradições Gaúchas para aprender as danças típicas. Na ocasião, Carolina ensinou aos presentes passos do funk, e Lázaro, do Olodum. ?Os grandes personagens foram Carolina e Lázaro e não Tudinha e Bonifácio?, afirma Guel.Três Palavras Divinas conta a história de um casal muito pobre formado pelo sapateiro Simão (Luiz Carlos Vasconcelos) e pela dona de casa Maria (Regina Casé). Por causa do frio intenso, Simão vai à cidade tentar receber um pagamento para comprar cobertores para os filhos. Encontra, caído ao lado da igreja, um homem nu, chamado Miguel (Felipe Finken), e o leva para a casa. Miguel é um anjo. Onze jovens da comunidade de Linha Bonita, inclusive uma menina, participaram da seleção para viver o anjo.

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