CowParade espalha vacas de fibra pelas ruas

Nas últimas semanas, talvez você tenha se deparado com uma vaca sendo pintada de pink em uma calçada qualquer. Ou avistado uma outra com um chifre azul turquesa deitada numa esquina perto da sua casa. Essa ainda discreta invasão bovina tem um motivo e vai ganhar (muito) peso a partir de amanhã. Tudo porque a mostra CowParade - O Circuito das Vacas chega a São Paulo e espalha pelas ruas quase 150 vacas de fibra em tamanho natural, expostas até 6 de novembro.Tal transformação do espaço público em um "quase pasto" já passou por Londres, Nova York, Bruxelas, Barcelona, Bucareste, Praga, Chicago, Salamanca e outras 16 cidades mundo afora em seus sete anos de existência. De origem suíça, a Cow Parade é considerada a maior exposição de arte de rua do mundo, não só pelo tamanho das esculturas, como pela quantidade delas (são cerca de 150) espalhadas pelas cidades que acolhem o evento. Feitas de fibra de vidro, as vaquinhas têm as mesmas dimensões de um animal de verdade. Grandes, as vacas são também inusitadas: misturando cores, idéias e brincadeiras das mais variadas, artistas de diferentes áreas transformam as esculturas antes que saiam às ruas. Além dos artistas selecionados por uma comissão de arte criada para o evento - e que obedece a critérios internacionais - alguns nomes são convidados a fazer sua versão para o bicho. Por aqui, nomes de peso como os artistas plásticos Guto Lacaz, Anita Kaufmann e Antônio Peticov, o multimídia Rui Amaral, o grafiteiro Binho, os estilistas Lino Villa Ventura e Jum Nakao, a ilustradora Suppa, o cartunista Angeli e o designer de jóias Antonio Bernardo vão mostrar suas criações. "Recebemos quase 600 projetos. Desses, 141 foram escolhidos por um comitê de arte", conta Catherine Duvignau, diretora da Toptrends, que organiza o evento. Depois de selecionados, os projetos ficam à espera de patrocínio, para que possam ser concretizados. "Já vendemos mais de 80 vaquinhas até agora e acredito que vão aparecer patrocinadores interessados, mesmo depois do início da exposição. O ideal é que 150 vacas sejam patrocinadas, mas mesmo na Europa esse número está abaixo de 100", diz Catherine. "Esse evento é maravilhoso, além embelezar a cidade, tira a arte de dentro do museu e leva às pessoas." Com o direito de apoiar um artista brasileiro, o patrocinador torna viável o leilão das esculturas. É que além de promover a democratização da cultura, o evento tem cunho social: onde são expostas, as vaquinhas da Cow Parade são leiloadas e o dinheiro arrecadado vai para uma ONG local. Em São Paulo, a escolhida foi a Fundação Abrinq, ligada aos direitos das crianças.

Agencia Estado,

03 de setembro de 2005 | 17h36

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