'Corto Maltese - As Célticas', um olhar sensato sobre a guerra

Com traços do italiano Hugo Pratt, obra reúne seis histórias cujo plano de fundo é a Primeira Guerra Mundial

Adriano Marangoni, especial para o estadao.com.br,

10 de setembro de 2007 | 15h43

Na guerra é melhor ter bons amigos, especialmente se você não acredita nela. Um pensamento do marinheiro Corto Maltese e bem familiar ao seu criador, o artista italiano Hugo Pratt. Corto Maltese - As Célticas (Pixel, R$ 33,00) é uma afirmação de liberdade em meio à depravação da guerra, tema recorrente em quase todos os volumes do cínico herói dos quadrinhos.   Cinismo que, no caso de Corto Maltese, é quase fachada. O personagem é um aventureiro sem lar que bem disfarça sua solidariedade. Corto Maltese - As Célticas reúne seis histórias onde ele se envolve em eventos importantes da Primeira Guerra Mundial. Resgata uma fortuna em ouro do governo sérvio, ajuda o movimento irlandês Sinn Feinn, impede um ataque alemão na Inglaterra e testemunha a morte de Manfred von Richthoffen, o Barão Vermelho. Tudo sem jamais ceder a qualquer ideologia e sempre com as mais variadas companhias.   As Célticas é interessante em dois sentidos. Por um lado, retrata um dos episódios mais importantes (e menos conhecidos) do século 20, a 1.ª Guerra Mundial; por outro, o retrato é feito de fora para dentro, da periferia dos acontecimentos para o centro da história e da guerra. Corto Maltese é dono da lucidez em meio à falsa solenidade produzida pela batalha.   Triplano   Numa das histórias, Maltese reúne um improvável bando de mercenários dos dois lados do front durante a campanha de Caporetto, próximo à cidade de Veneza, em 1917. Um austríaco, franceses, escoceses e um americano (inspirado em Ernest Hemingway), juntam-se em busca de um tesouro. Sensatez é a causa comum: cada um planeja um futuro mais confortável, se possível, longe de qualquer novo conflito. Corto Maltese, por outro lado, pretende gastar a fortuna com seus vários amigos, mas só depois de devolver uma parte ao seu verdadeiro dono, o governo de Montenegro, país cujo nacionalismo deu origem à própria guerra.   Na campanha de Somme, uma das mais sangrentas de todo conflito, Corto tenta a todo custo proteger suas garrafas de vinho de dois entediados oficiais australianos. Até o momento em que o triplano do Barão Vermelho surge nos céus quebrando a monotonia.   Romântico azarado, Corto se interessa pela viúva de um amigo, um militante nacionalista irlandês, depois por uma espiã alemã na Inglaterra e ainda por uma trapaceira de olhos verdes. Da última seria vítima se não tivesse ouvido os conselhos da mãe, uma cigana de Andaluzia. Mas na falta de boas companhias, Corto ainda é visitado por lendas do folclore céltico, como o mago Merlin, Oberon, o rei das fadas, seu criado travesso Puck e Viviane, a dama do lago. 

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