Cortés traz seu "flamenco de resultado" a SP

Com os tacões das botas prontos para castigar as tábuas do palco do Via Funchal, volta a São Paulo Joaquín Cortés, figura das mais polêmicas da dança contemporânea. Ao contrário de outros artistas espanhóis, entre eles os Antonios Gades e Canales, que praticam o flamenco em linha low profile, Cortés é exibicionista. Cultivando uma sensualidade latin lover, que se traduz em longos cabelos pretos, torso nu, calças justas e botas de salto, Cortés, espanhol de Córdoba, filho de ciganos, 31 anos, quer ser visto como um pop star.Não contente com as performances no palco, ele já se apresentou em programas de tevê e desfiles de moda, participou de diversas campanhas publicitárias e foi escalado como ator nos filmes A Flor do Meu Segredo, de Pedro Almodóvar, e Flamenco, de Carlos Saura. Como se não bastasse o trabalho com sua companhia, a Joaquín Cortés Flamenco Ballet, ele criou o grupo musical Gipsy Passion Band, da qual é compositor, diretor musical e percussionista.Há cerca de quatro anos, sua fama de latin lover foi impulsionada por um turbulento namoro com a top model Naomi Campbell. O desenlace rumoroso foi parar em páginas de jornais sensacionalistas. Como muitas estrelas de teatro, que gostam de intepretar monólogos, Cortés resolveu dar-se um espetáculo solo de presente. E criou Gitano. O show que os paulistanos verão em uma única sessão, hoje, é um solo muito peculiar. Único bailarino no palco, Cortés dança oito números. Acompanhado por 18 músicos. O bailarino falou por telefone de Buenos Aires à reportagem do Jornal da Tarde . A entrevista foi breve e o entrevistado, quase lacônico.Como é "Gitano"?Joaquín Cortés - É integrado por novas peças, que foram criadas para este trabalho. Estou só no palco, mas apresento-me com 18 bailarinos, durante uma hora e quarenta e cinco minutos. O espetáculo mostra para o público uma visão dos diferentes estilos do flamenco.Que fatores levaram o flamenco a ganhar a difusão que está tendo hoje?Acho que essa popularidade da dança espanhola é muito boa. Preciso dizer que sou um pioneiro. Ajudei a abrir as portas, a abrir caminho para uma nova geração. Quando comecei, ninguém fazia nada parecido. Os puristas ficaram horrorizados. Hoje não tem mais o que dizer. Foi um movimento meu, pessoal, que outros seguiram depois.Sua formação é clássica?Tive a sorte de estudar balé clássico, de aprender todo tipo de dança. Mas minhas raízes me levaram para o flamenco, que expressa uma forma de viver, de mostrar a cultura de um povo.O que é mais importante quando está em cena?Quando o artista está no palco, o mais importante é tudo. É o conceito que se quer transmitir. E ele é a somatória dos cenários, dos figurinos, da música, da luz, da atuação, da interação entre os artistas.O que mais o agrada na fama?Gosto da possibilidade de me expressar, de levar uma arte que é muito antiga para um grande público. Não gosto nada dos parasitas, dos medíocres que cercam uma pessoa quando conquista algum sucesso. E a invasão da mídia irrita. O público é insaciável, quer saber tudo, principalmente o que só interessa ao artista e a quem convive com ele.Você tem algum novo plano para cinema?Sim. Ainda não posso falar a respeito, mas fui convidado para fazer um filme em Hollywood. Se tudo der certo, começo a rodar em 2002.Joaquín Cortés/"Gitano"- Via Funchal (R. Funchal, 65, tel. 3846-2300). Hoje, 21 h. Ingressos de R$ 45 a R$ 150.

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