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Fábio Porchat
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Corre, Fábio, corre!

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Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2014 | 02h12

Após minha passagem de três meses pelo quadro Medida Certa no Fantástico, emagreci 17 kg só de gordura, perdi 19 cm de circunferência abdominal e minha porcentagem corporal de gordura chegou a 11,5. E aí vieram as férias. Passada a turbulência de panetones e rabanadas, o que ficou foi aquilo que considero o mais importante: incorporei a atividade física à minha rotina diária.

Agora, eu já coloco exercício como mais um afazer do dia. Acordo, tenho reunião do Porta dos Fundos, gravo um vídeo, escrevo, corro na praia, reunião para falar do filme, sessão de fotos... E quando eu vi, correr virou banalidade. Corro sete quilômetros quatro vezes por semana. Só que isso não significa que me exercitar deixou de ser um sofrimento. É, mas um sofrimento igual a ter que tomar banho às seis e meia da manhã, em São Paulo, no inverno. Tem que fazer.

Eu descobri que correr é o que eu gosto de fazer e, mesmo assim, toda vez que eu vou correr - toda - eu penso em desistir.

Na verdade, do momento em que eu começo a calçar o tênis até os últimos cem metros da minha São Silvestre particular são sucessões infindáveis de desculpas que eu mentalmente me dou para desistir. Tá frio, tá calor, tá sol, tô cansado, tô com sono, tô com fome, acabei de comer, tô com bolha, eu corro amanhã, já corri ontem... Eu entro em uma batalha campal comigo mesmo, tentando sempre me fazer desistir de um lado e continuar do outro. E a batalha é inconsciente inclusive, a resistência vem de lugares que nem eu mesmo sei.

Eu entro no elevador, me dá vontade de fazer xixi. Eu volto, faço xixi, desço, quando eu começo a andar até o Aterro, a bexiga me cutuca de novo. Eu tenho que ignorar e seguir em frente.

Quando eu começo a correr, nos primeiros cem metros eu já quero desistir. Já começo a pensar em outras possibilidades de atividade como caminhar na praia, me alongar, todas bem menos cansativas. E aí entra o Fábio magro, que está escondido lá trás daquele monte de gordura abdominal e começa a conversar com o Fábio obeso dizendo: calma, cara, tá só começando. Vamos correr só um quilômetro hoje. Depois a gente para. O Fabio Torresmo pondera, aceita. Quando vai se aproximando dos 700 metros ele já dá sinais claros de cansaço, como se aquilo já tivesse sido muito. O Fábio Etiópia começa a entrar em ação ludibriando, mentindo, se utilizando da má-fé para dizer que se já chegamos até aqui, vamos mais um quilômetro. Não vai ser nada. E é assim todos os dias em que corro. Juro, não é modo de dizer. Fazer exercício é chato, cansativo, toma um tempo da sua vida, mas tem que fazer.

Muita gente me pergunta: me conta o segredo pra perder peso. Me dá até raiva. O segredo é vergonha na cara. Come menos e faz exercício. Não tem segredo nenhum. Pode fazer a dieta do abacaxi, da proteína, do doutor XWZ, vai tudo engordar de novo.

Se quiser emagrecer tem que mudar a sua cabeça. Tira a bunda do sofá e jogue no lixo esse empanado de queijo com presunto. Simples assim. Quer dizer, simples não é, né Fábio? É sim, Fábio. Vamos comer uma pizza agora, Fábio? Primeiro vamos calçar esse tênis, Fábio.

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