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Corra para ver o homem que virá

Há cerca de dez anos, como turista, Giorgio Diritti visitou a Amazônia. Esteve em Manaus, na região de Parintins e viu a pororoca. "Foi um dos espetáculos mais deslumbrantes do mundo", diz o diretor, numa entrevista por telefone, de Roma. Mas não foi só a paisagem que o seduziu. A população local também era fascinante e Diritti ouviu muitas histórias de italianos que foram para a Amazônia. Essas histórias ficaram com ele, que agora escreve o roteiro de um longa, Vanità (Vaidade).

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2010 | 00h00

Enquanto isso, os produtores fazem acordos - no quadro da colaboração brasileiro/italiana - para garantir que o filme seja rodado já em 2011. Mas Diritti não quer falar muito sobre Vanità. Os acordos não estão fechados, o roteiro não está pronto. "É prematuro", observa. Diritti está muito mais disposto a soltar o verbo sobre L"Uomo Che Verrà, de 2009, atração do último dia (hoje) da Semana Pirelli de Cinema Italiano.

Nos últimos dias, o cinéfilo paulistano tem sido brindado com uma enxurrada de pré-estreias do cinema da Itália. Elas foram precedidas pela minirretrospectiva dedicada ao ator Ugo Tognazzi, cuja filha, Maria Sole, veio mostrar Ritratto di Mio Padre, o belo documentário que dedicou ao astro de algumas dos melhores filmes de Dino Risi (Os Monstros) e Marco Ferreri (A Comilança). Houve algumas defecções. Mine Vaganti, de Ferzan Ozpetek, foi liberado pelo distribuidor para apenas uma exibição e as demais tiveram de ser canceladas. O filme vai estrear em janeiro, com o título de Imprevisível.

L"Uome Che Verrà, O Homem Que Virá. O filme de Diritti tem sido muito premiado na Itália. Recebeu diversos prêmios no Festival de Roma, inclusive o de melhor filme italiano, pelo público. Ganhou também o David Di Donatello, o Oscar da Itália, e o Nastro d"Argento. Diritti arrisca uma interpretação - seu filme reconstitui um dos mais bárbaros massacres da 2.ª Guerra na Itália. Durante dois dias, 28 e 29 de setembro de 1944, 750 civis foram massacrados pelos nazistas em Marzabotto, na suíte das violentas disputas entre nazifascistas e a Resistência.

"O massacre é um episódio muito conhecido na Itália. É, inclusive, tema escolar. Mas eu tive o privilégio de ler, há quase dez anos, um livro com testemunhos dos sobreviventes. Em 2002 e 2003, entrevistei alguns deles e, desde então, trabalhei no filme. É uma ficção, mas tudo o que cerca o massacre foi minuciosamente estudado e reconstituído. Pode-se reclamar de muita coisa no meu filme, mas não da acuidade histórica", observa o diretor. E ele acrescenta - "Há um revival de filmes da 2ª Guerra. O de (Quentin) Tarantino, por exemplo, Bastardos Inglórios. Conto o massacre pela ótica dos sobreviventes. Não são perdedores e o que me interessa, afinal, não é a guerra, mas a necessidade de fortalecer a paz no mundo."

Ele reconstitui os fatos pela ótica de uma menina. Martina é uma sobrevivente e consegue salvar também seu irmão menor. Foi difícil trabalhar com crianças - elas eram cerca de 80, no set -, até pelas condições inóspitas. Frio, neve e chuva, como foi naquele período de 1944. Para o espectador que não conhece Giorgio Diritti, uma coisa que ele diz é muito importante. De quem ele gosta no cinema italiano atual? A resposta vem célere - Michelangelo Frammartino. Ele acha que seu filme tem a ver com As Quatro Voltas. "Na simplicidade, no rigor, na humanidade." O filme de Frammartino foi um dos melhores da Mostra. Motivo mais do que suficiente para correr a ver O Homem Que Virá.

SEMANA PIRELLI DE CINEMA ITALIANO

Hoje, às 21h30, O Homem Que Virá, de Giorgio Diritti. Cinemark Iguatemi. R$ 9/ R$ 11,50.

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