Enrico Della Valle/Divulgação
Enrico Della Valle/Divulgação

Corpos e seus limites

Conhecidas por misturar acrobacias e dança, cias. Pilobolus e Kataklò mostram novos trabalhos

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2011 | 09h18

Testar os limites dos bailarinos. Abrir mão das técnicas tradicionais da dança para descobrir todas as formas que um corpo humano possa adquirir. Foi assim que a Pilobolus Dance Theatre arrebatou o mundo há exatos 40 anos. Em mais uma passagem pelo Brasil, o grupo chega a São Paulo nesta terça-feira, 24.

Veja também:

link Pilobolus apresenta Metamorphosis'

No palco do Teatro Bradesco, a companhia norte-americana volta a exibir a combinação de dança e atletismo que a consagrou. Uma fórmula que conquistou plateias numerosas e ditou moda, amealhando seguidores mundo afora. Seria a partir da trilha iconoclasta aberta pela Pilobolus, que surgiriam outros grupos de sucesso. Caso do também americano Momix, da brasileira Cia. de Dança Deborah Colker e da italiana Kataklò, que, curiosamente, também passa pela cidade nesta semana.

Fundada em 1995, pela coreógrafa Giulia Staccioli, a companhia apresenta-se a partir desta segudna-feira, 23, no Teatro Alfa. E deve mostrar por aqui como radicalizou os preceitos que a Pilobolus lançou nos anos 1970. Campeã olímpica de ginástica rítmica, com passagens pelas Olimpíadas de Los Angeles e Seul, Giulia descobriu a dança ao estudar com Moses Pendleton - coreógrafo fundador do Momix e da Pilobolus.

Formada por ex-atletas - muitos deles campeões olímpicos - a Kataklò Atletic Dance Theatre reestrutura os movimentos acrobáticos e trata de colocar os corpos em situações extremas. "Quando trabalho com dançarinos que vêm da ginástica ou dos esportes eles devem estudar dança. E, aí, adquirem um vocabulário maior que o de um bailarino convencional. É esse background que me dá a possibilidade de testar qualquer ideia com eles", diz ao Estado Giulia, ainda hoje diretora do grupo.

Nessa passagem pelo País, o conjunto italiano faz a estreia mundial de Light, sua nova coreografia. Se no trabalho anterior, Play, o foco recaía sobre modalidades esportivas - e tratava, inclusive, de ironizá-las - a atual criação mira uma perspectiva um pouco mais abstrata, sem que se concentre em uma temática tão evidente.

A luz, como já evidencia o próprio título do espetáculo, merece lugar de destaque em Light. E o cenário, todo branco, serve para potencializar os efeitos da iluminação "Teremos tudo o que a Kataklò sabe fazer: dança, teatro, acrobacias. O jeito de dançar é o mesmo. Mas em Light o próprio tema é uma combinação de diferentes linguagens."

Fórmula segura

Velha conhecida das plateias paulistanas, a Pilobolus retorna pisando em terreno seguro. No novo espetáculo Metamorphosis, o grupo mantém o costume de trazer várias coreografias no programa. Cada uma delas de uma fase da trajetória. "Os primeiros diretores artísticos da companhia fizeram coreografias juntos por muito tempo. Mas, depois, eles tentaram buscar outras maneiras de pensar dança e movimento. Foi então que começamos a trazer artistas de outras áreas, como artistas gráficos, músicos, escritores, além de outros coreógrafos. Essa experiência só aumentou nosso nível artístico ", aponta Renée Jaworski, uma das diretoras da companhia norte-americana.

A peça que abre a apresentação é uma representante da primeira fase da Pilobolus. Criada em 1975, Untiled perpassa relacionamentos entre os sexos e o próprio ciclo da vida, percorrendo do nascimento ao envelhecimento. Alguns de seus traços podem evocar o estilo que marcava os trabalhos iniciais. Mas certamente também prenunciam rastros dos novos caminhos que a Pilobolus seguiria dali em diante. "Há quem olhe para Untiled e veja aqui o clássico estilo Pilobolus. E, se comparar essa peça a outras mais recentes, verá uma grande diferença, mas o jeito de fazer é essencialmente o mesmo", acredita Renée. "Ao longo dos anos, os resultados podem parecer diferentes. Mas isso é só porque queremos que o público volte para nos assistir."

Serão encenadas três coreografias que fazem parte da última leva de criações do grupo: The Transformation e Redline, ambas de 2009, e Hapless Hooling in Still Moving, criada em 2010, resultado de uma parceria com o mestre das histórias em quadrinho, Art Spielgeman.

Completa o programa Duet, coreografia de 1992 que é uma das preferidas do público. Chegou a ser aposentada, mas voltou ao repertório, aclamada como um clássico da companhia. "Fizemos, ao longo desses 40 anos, mais de uma centena de coreografias. E a maioria, nunca apresentamos de novo. Mas algumas têm esse traço indescritível, que faz com que elas perdurem."

KATAKLÒ ATHLETIC DANCE THEATRE - Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, telefone 5693-4000. Hoje, às 21h. R$ 60.

PILOBOLUS DANCE THEATRE - Teatro Bradesco. R. Turiaçu, 2.100, 3670-4121. 3ª e 4ª, 21 h. R$ 90/180.


 

Tudo o que sabemos sobre:
dançaPilobolusKataklò

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.