JF Diorio/ AE
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Corpo do diretor José Renato será enterrado no Morumbi

Artista faleceu na madrugada desta segunda-feira, em São Paulo, de enfarte

O Estado de S. Paulo/ AE,

03 de maio de 2011 | 09h50

Morreu na madrugada de ontem, o diretor, ator e dramaturgo José Renato Pécora, um dos nomes mais representativos do teatro paulista do século 20. Aos 85 anos, ele teve um enfarte. Chegou a ser atendido em um pronto-socorro municipal, em Santana, mas não resistiu. José Renato sentiu-se mal na Rodoviária do Tietê, onde pegaria o ônibus da meia-noite para ir até o Rio de Janeiro. Seu velório foi realizado no Teatro Experimental Eugênio Kusnet e o enterro estava marcado para hoje de manhã, no Cemitério do Morumbi.

Fundador do mítico Teatro de Arena, o encenador é considerado um divisor de águas da cena nacional e ainda continuava na ativa. Recentemente, dirigiu uma versão de Santa Joana dos Matadouros, de Bertolt Brecht, e também voltou a se aventurar como ator, após um jejum de 55 anos. Ainda que tenha estreado em cima do palco, em 1950, no espetáculo Os Pássaros, Zé Renato logo enveredou pela direção e, desde 1954, fez das coxias o seu espaço dileto. No fim do ano passado, retomou o posto de intérprete em 12 Homens e Uma Sentença - peça que conquistou o prêmio APCA de melhor espetáculo de 2010 e continuava em cartaz.

Ontem, o veterano artista fez sua última sessão no Teatro Imprensa. Após a apresentação, antes de ir para rodoviária, ainda saiu para jantar com amigos no restaurante Planeta?s - tradicional reduto da classe teatral no centro.

Foi durante os anos 1950 e 1960 que José Renato comandou uma revolução no teatro brasileiro. À frente do Teatro de Arena - uma sala miúda na Rua Teodoro Baima, quase diante da igreja da Consolação - dirigiu montagens que marcaram o século.

Criado em 1955, por um grupo de alunos egressos da EAD (Escola de Arte Dramática), o Arena trazia novas formas para o teatro: optava por um espaço cênico central, e substituía o até então onipresente palco italiano. A proposta não só barateava o custo das produções como, ao limar adereços e cenários, colocava o foco no texto.

Além da reforma estética pela qual foi responsável, Zé Renato também cumpriu a função de revelar e reforçar o lugar de novos dramaturgos nacionais. Com Eles Não Usam Black-Tie (1958), jogou luzes sobre um desconhecido Gianfrancesco Guarnieri. Nessa seara, fez ainda Revolução na América do Sul (1960), uma das primeiras peças de Augusto Boal, companheiro com quem dividiu as funções de dirigir o Arena. Também se destacou por suas montagens de Bertolt Brecht: nessa época estreou Os Fuzis da Sra. Carrar(1961).

Antes de se aventurar pelo teatro, Zé Renato estudou odontologia por dois anos. Mas, abandonou o curso e se formou na primeira turma da EAD. Ao assumir o Teatro Nacional de Comédia, do Rio de Janeiro, em 1961, encaminhou a companhia para um repertório brasileiro. Montou Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, e O Pagador de Promessas, de Dias Gomes. Como diretor independente, manteve a inclinação pela dramaturgia nacional: Rasga Coração, de Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha, foi um de seus maiores sucessos e marcou os estertores do regime militar, em 1979. Ainda que tenha se notabilizado como encenador, Zé Renato também se dedicou à dramaturgia. Com Plantas Rasteiras (1951), mereceu o prêmio de melhor autor da Academia Paulista de Letras.

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