Corpo de Zélia Gattai será cremado nesta tarde em Salvador

Pela escolha dos filhos, cinzas serão depositadas aos pés da mangueira em que estão as do marido, Jorge Amado

Com Álvaro Figueiredo, de O Estado de S. Paulo, e Agência Estado,

18 de maio de 2008 | 12h53

Familiares e amigos da escritora Zélia Gattai, que morreu na tarde de sábado em Salvador, velam o corpo da autora durante este domingo, 18. Por decisão de João Jorge e Paloma Amado, filhos do casal, as cinzas da escritora serão jogadas aos pés da mangueira onde foram depositadas as do marido Jorge Amado, na Casa do Rio Vermelho. A cerimônia que antecede a cremação acontece às 16h30, no cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas.   Veja também:  Imagens da escritora   Morre em Salvador, aos 91 anos, a escritora Zélia Gattai  Zélia foi um símbolo da força da mulher brasileira, diz Lula  ABL decreta luto de três dias pela morte de Zélia Gattai   Zélia foi vítima de insuficiência cardíaca e edema agudo pulmonar, e submeteu-se a pelo menos três outras internações, para tratar, inclusive, de uma queda. Pouco antes do seu falecimento, Zélia foi retirada da UTI e transferida para um quarto, onde passou os últimos instantes em companhia de familiares. O governador Jaques Wagner (PT) decretou luto oficial de três dias na Bahia, pelo falecimento da escritora.   Paloma, abalada, deixou transparecer a dor da perda, e lembrou a fé de Jorge e Zélia, manifesta em personagens deles, como Pedro Arcanjo, um bedel que desmitifica a pureza caucasiana na elite baiana. "Eles não conheciam limites materiais, e sei que já estão de mãos dadas em seu jardim", comentou, emocionada.   Segundo o jornal A Tarde, o velório contou com a presença do irmão de Jorge Amado, James Amado e sua mulher, Heloísa Ramos, filha de Graciliano Ramos. Entre os parentes, sobrinhos e a neta da escritora, Maria João, provenientes de São Paulo. O deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), uma das personalidades que estiveram nesta manhã no velório, afirmou que a Bahia e o Brasil perdem, com a morte da viúva de Jorge Amado, "um exemplo de vida que influenciou várias gerações de mulheres".   ACM Neto destacou que "Zélia Gattai soube ser ao mesmo tempo uma mulher independente e doce, que conseguiu construir uma carreira literária brilhante, mesmo vivendo ao lado de um dos maiores escritores da língua portuguesa - Jorge Amado". O deputado comentou que Zélia, assim como Jorge, eram grandes amigos dos seus avós senador Antonio Carlos Magalhães e Arlette Magalhães.   O senador Antonio Carlos Magalhães Junior também lamentou a morte de Zélia Gattai, lembrando que, embora paulista de nascimento, a escritora adotou a Bahia como sua terra, embora tivesse nascido em São Paulo. "A sua perda deixou a mim e a minha família, principalmente a minha mãe Arlette - as duas eram muito amigas -, emocionados. Zélia era a grande companheira de Jorge Amado. Foi através da amizade entre Jorge Amado e o meu pai, o senador Antonio Carlos Magalhães, que tivemos a oportunidade de conhecer Zélia. Foi a amizade entre os dois que uniu as nossas duas famílias",comentou.   Ao optar por acompanhar seu Amado, a então militante comunista, nascida em São Paulo e descendente de italianos, assumiu o trabalho de revisar e corrigir os textos de um dos baianos mais lidos. O filho, João Jorge, nasceu em 1947 no Rio, quando o escritor ainda era deputado pelo PCB, e a filha Paloma três anos depois, em Praga, durante o exílio na Checoslováquia, quando o partido se tornou proscrito.   Autora de Anarquistas, Graças a Deus, Zélia Gattai fazia parte dos quadros da Academia Brasileira de Letras, na vaga que herdou do marido, e ficou conhecida por seus livros, treze ao todo, de cunho autobiográfico, e familiar.

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