FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Corpo de Ferreira Gullar é velado na Academia Brasileira de Letras

"Gullar foi da estirpe de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira", disse o presidente da casa Domício Proença Filho

Roberta Pennafort /RIO, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2016 | 12h08

O corpo do poeta Ferreira Gullar, que morreu ontem aos 86 anos em decorrência de uma pneumonia, começou a ser velado na manhã desta segunda-feira no prédio da Academia Brasileira de Letras (ABL), no centro do Rio.

Gullar tomou posse como acadêmico na casa há exatos dois anos. Colegas ressaltam sua alegria ao participar das atividades da ABL, na qual resistiu a entrar por mais de 20 anos, por considerar que não tinha o perfil adequado.

“Foi o acadêmico perfeito. Aderiu 100% à academia, uma conquista extraordinária para nós. Pena que foram apenas dois anos”, disse o acadêmico Arnaldo Niskier.

“Ele tinha uma visão estereotipada da academia, que é muito mais que um grupo de velhinhos tomando chá. Gullar foi da estirpe de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira. Aqui é o seu lugar”, enalteceu o presidente da casa, Domício Proença Filho.

A viúva Claudia Ahimsa contou que Gullar manteve-se lúcido e produzindo até os momentos finais. Ele deixou prontas três crônicas inéditas que ainda sairão no jornal Folha de São Paulo. Uma era sobre a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e outra sobre arte. Numa terceira, ele reviu um texto antigo.

“Não deu tempo de ele escrever sobre a morte de Fidel Castro. Gullar foi um passarinho que cansou de voar”, contou Claudia.

O velório deve durar ate 15h, quando o corpo segue para o Cemitério São João Batista, onde será enterrado no mausoléu da ABL.

Além de acadêmicos, estão presentes no velório amigos de longa data, como o poeta Armando Freitas Filho, o canto Fagner, o ex-deputado Fernando Gabeira, a cantora Adriana Calcanhoto e também funcionários de uma biblioteca comunitária em Xerém, na Baixada Fluminense, que leva o nome do poeta.

“Ele adorava ir lá, no aniversário da biblioteca ou no aniversário dele, fazer leituras para adultos e crianças. Ele se sentia muito à vontade”, relatou a professora Nilcelene Dias, voluntária da biblioteca.

O corpo de Gullar foi velado ontem à noite na Biblioteca Nacional, também no centro do Rio.

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