Corpo dança o amor divertido e sensual

Tom Zé parece a razão de ser de Santagustin, nova coreografia do mais famoso grupo de dança do Brasil, o Grupo Corpo, inspirado no santo católico Santo Agostinho e que evoca o amor como tema principal.A estréia nacional será amanhã, no Teatro Alfa, e segue até o dia 23. Depois, o grupo parte em turnê nacional. Foi do músico a primeira insinuação de fazer do amor o argumento para o balé, ele que é o responsável pela trilha de Santagustin, uma corruptela bem mineira do nome do santo."Quando convidamos o Tom Zé para fazer a música do espetáculo, não tínhamos proposto nada. O Tom Zé começou a trazer algumas músicas e existiam partes que falavam do amor", diz Rodrigo Pederneiras, o coreógrafo da companhia.Esta primeira vontade de Tom Zé de tratar do amor "foi uma coincidência muito feliz", nas palavras do coreógrafo, que tinha a mesma intenção em tratar do tema.Este balé então versa, ou melhor, dança, sobre antigo dilema humano, as relações humanas, intensificado e valorizado a cada estação. Rodrigo Pederneiras sabia desde o princípio que seria difícil.O amor na coreografia do Grupo Corpo não é uma reflexão formal sobre o tema. Rodrigo preferiu observar o comportamento das pessoas diante de algumas situações. Situações como aquelas em que os bailarinos se encontram remetem de forma bem-humorada aos caprichos determinados por esta "emoção". "Vou fazer algo sobre o amor, mas algo que fosse rir do amor. Rir de situações em que a gente se acha, quando se trata do amor."Foi um balé, ao que parece, envolvente para a companhia. "Existe um lado sensual forte, exacerbado e, ao mesmo tempo, é um balé divertido e debochado. O Tom Zé curtiu esta brincadeira que a gente fez com o amor", diz o coreógrafo.A música foi decisiva em toda trama da coreografia. Envolveu todos, até mesmo o "estreante" Ronaldo Fraga, o estilista que se juntou ao grupo para criar o figurino. "Quando a música é forte, ela faz com que as pessoas se envolvam mais e participem. E isso aconteceu neste balé", acredita o coreógrafo."A gente ria muito. Existem momentos do balé que são duos em que não fiz absolutamente nada, quando cheguei as pessoas tinham feito, e eu só compus, isso vamos unir com isso ou aquilo. Houve uma parte de criação dos bailarinos, não é uma criação coletiva, a gente nunca faz isso, mas de eles sugerirem a partir da música." Nesta parceria com o Grupo Corpo, Tom Zé assume involuntariamente um papel determinante, pelo menos aos olhos do diretor. "O mérito é todo dele."Nesta mesma temporada, apresenta-se também ao público Parabelo, coreografia de 1997, cuja trilha Tom Zé divide com José Miguel Wisnik. Em julho passado, esquetes da nova coreografia foram levadas ao festival americano Jacob?s Pilow. Novamente fez sucesso. Reafirmou a maneira como esta dança é vista aos olhos estrangeiros.Rodrigo Pederneiras fez mais de um balé por ano, desde 1978, quando começou a coreografar, três anos após seu irmão Paulo Pederneiras tomar a iniciativa de criar um grupo de dança, na Belo Horizonte dos anos 70. Ao todo somam-se 28 balés.A união entre os integrantes parece determinar a identidade do grupo, mas Rodrigo Pederneiras traz uma responsabilidade a mais: a de tornar a união em passos. Para ele é fundamental a cumplicidade entre a pessoas da companhia e a possibilidade de poder errar tudo o que quiser, depois "ter tempo de rever as coisas".Santagustin - Teatro Alfa (R. Bento de Abdrade Filho, 722, tel. 5693-4000). Terça a sábado, às 21h; domingo, às 18h. De R$ 30 a R$ 60.

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