Corpo dança a tradição africana

Grupo mostra Sem Mim e Benguelê em temporada no Alfa e prepara nova parceria com Lenine

HELENA KATZ , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2012 | 03h12

Rever Benguelê (1998), a mais afro-brasileira das coreografias de Rodrigo Pederneiras, que tem música de João Bosco, terá um sabor especial, depois de tanto tempo. Ainda mais porque ela será acompanhada por sua obra mais recente, Sem Mim (2011), com trilha musical assinada por Carlos Núñes e José Miguel Wisnik (sobre obra de Martín Codax). É com esse programa que o Grupo Corpo realiza a sua já tradicional temporada anual no Teatro Alfa, em São Paulo, de hoje até o dia 19 de agosto.

E com essas coreografias, o grupo segue depois para Belo Horizonte (23 a 26 de agosto, no Palácio das Artes), Rio (6 a 9 de setembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro), Curitiba (15 e 16 de setembro, no Teatro Guaíra) e Porto Alegre (22 e 23 de setembro, no Teatro do SESI). Depois da turnê brasileira, o grupo mineiro vai dançar Ímã (2009) e Sem Mim nos Estados Unidos e Canadá, e Parabelo (1997), Corpo (2000) e Sem Mim em quatro cidades da França.

Paulo Pederneiras, diretor do Grupo Corpo, é quem informa que a companhia ainda se apresenta mais fora (cerca de 60% do total de espetáculos) do que no Brasil. "Temos tentado reverter esta porcentagem, mas ainda não conseguimos, por conta da antecedência com que os teatros estrangeiros fazem a sua programação".

No Corpo, nos anos nos quais não acontece uma nova produção, como agora, em 2012, a carga de trabalho continua pesada, pois o elenco precisa ter 4 ou 5 trabalhos ensaiados. "Na nossa sede, ocupamos três estúdios diariamente com ensaios, o que é muito para uma companhia do nosso porte".

No ano sem estreia, o grupo produz a trilha de sua futura criação. Em outubro, ela deverá estar pronta e será, mais uma vez, assinada por Lenine, que compôs a música de Breu (2007). "Lenine quer fazer uma música que não fica totalmente pronta, que conta com a interferência dos bailarinos, algo mais experimental, na direção do que começou a realizar no seu último show." Quando a música estiver pronta, os ensaios começam. "Geralmente, dedicamos um mês para o início da coreografia que vai estrear no ano seguinte."

São 21 bailarinos, que ganham entre R$ 4.700 e R$ 6.580. A variação salarial corresponde somente ao tempo que cada um tem de companhia, pois a cada cinco anos, todos são aumentados. "Não fazemos diferenciação com o elenco. Todos participam de todas as obras", conta Paulo. "A novidade é que agora contamos com uma figura nova, a do bailarino estagiário, que nunca pudemos ter porque vivemos viajando. Mas, como atualmente contamos com três ensaiadoras, tornou-se pela primeira vez possível manter duas estagiárias, que ficam em Belo Horizonte, aprendendo por seis meses o repertório."

Geralmente, a seleção de bailarinos é feita através da observação dos que pedem para fazer aula com a companhia. "É menos traumático. Na última audição que realizamos, tivemos 400 inscritos para 2 vagas, o que configura um resultado péssimo, porque produz 398 pessoas tristes."

Segundo informa Pederneiras, o Grupo Corpo custa hoje entre R$13 e 14 milhões por ano. Dessa necessidade, uma parte é coberta pela soma dos financiamentos, via Lei de Incentivo à Cultura, da Petrobrás (R$ 4,1 milhões), Eletrobras-Furnas (R$ 1 milhão), Sesi MG (R$ 1 milhão), Oi Futuro (R$ 500 mil) e Cemig (R$ 300 mil). O que falta para fechar essa conta vem dos 60/70 espetáculos que o Grupo Corpo vende, em média, por ano.

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