Coronéis do sertão, 40 anos depois. Leia na Estante da Semana

Nesta semana, a coluna apresenta o relançamento do livroCoronel, coronéis: apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste, um trabalho de campo de 1963 que virou obra de referência para quem quer entender a formação do País. E também, história da Bíblia, Câmara Cascudo , Lima Barreto e Tudo sobre a ÁguaO MESTRE CÂMARA CASCUDO. AGORA, FALANDO DOS NOSSOS GESTOS.Um desfile de gestos: dedos em cruz, beijo na mão, o cafuné, abanar a cabeça, sorrir. Todos, exatos 333, estão nas páginas de História dos Nossos Gestos, de Luís da Câmara Cascudo. Em seu estudo (Editora Global, 286 páginas, R$ 45,00), o autor mostra que o gesto ? anterior à voz e à palavra ?, muitas vezes fala mais e melhor do que mil palavras. O gesto, a postura e a maneira de olhar de uma pessoa têm, segundo o autor, muito mais a dizer sobre ela do que o seu discurso.Um pouco do que diz Cascudo sobre o gesto na apresentação do livro:"O gesto é a comunicação essencial, nítida, positiva. Não há retórica mímica, apenas reiteração da mensagem. Essa limitação recorda o inicial uso entre seres humanos, quando o metal era pedra e a caverna abrigava a família nas horas da noite misteriosa. ?Aprende com os mudos o segredo dos gestos expressivos?, aconselhava Leonardo da Vinci. A palavra muda. O gesto, não".A HISTÓRIA DE LIMA BARRETO, CONTADA POR FRANCISCO DE ASSIS BARBOSA.O autor, um paulista de Guaratinguetá, destacou-se no mundo intelectual como jornalista, historiador, biógrafo e ensaísta. Mas começou a ser notado, realmente, no começo dos anos 50, quando o seu A Vida de Lima Barreto, agora reeditado, mereceu o Prêmio Fábio Prado.O livro (José Olympio, 460 páginas, R$ 40,00), aliás, mereceu, também, ao ser lançado, muitos elogios. O historiador Sérgio Buarque de Holanda, por exemplo, viu no trabalho de Francisco de Assis Barbosa a reunião das "virtudes de uma genuína biografia literária com as de uma reportagem perfeita em grande estilo". De fato, o autor preferiu excluir de seu livro as chamadas análises profundas sobre o personagem. Preferiu escrevê-lo como jornalista.Está é a oitava edição de A Vida de Lima Barreto. A primeira depois da morte do autor, em dezembro de 1991.O SUCESSO DE UMA ESTREANTE CHEGOU AOS OUVIDOS DA BEST SELLERUm livro que está chegando à segunda edição. A primeira foi bancada pela autora. Agora, Desistir, Jamais exibe o selo da editora Best Seller.Trata-se de uma história que chegou às livrarias na hora exata: um momento da vida do país em que mais do que nunca discute-se a tragédia dos excluídos. Uma hora em que uma das vedetes da mídia é o projeto Fome Zero. Em seu Desistir, Jamais, a escritora catarinense Iria Raimundo Schnaider conta a trajetória de um favelado, Nícolas, que sonha, desde criança, com um mundo menos cruel do que a favela onde nasceu. Uma favela chamada "Buraco".A estréia de Iria Schnaider mereceu do escritor Cláudio Bersi de Souza estes elogios. "Iria estréia na literatura com uma obra, inspirada no cotidiano vivido na periferia urbana, com todos os percalços que a vida impõe", escreveu ele. "Alí onde a lei é própria e regida arbitrariamente; ali onde o amor é comprado e subjugado; ali onde há um ditador que não aceita as ordens cumpridas pela metade... Embora seja uma obra da ficção, é o retrato da verdade," conclui Bersi.Iria Schnaider, nascida em Major Gercino, cidade a pouco menos de cem quilômetros de Florianópolis, vive hoje na bela Armação de Itapocorói, Penha, no litoral do Estado, onde é empresária. Desistir, Jamais (Best Seller, 180 páginas, R$ 21,00).MUITAS PERGUNTAS SOBRE A ÁGUA. INQUIETANTES, QUASE TODAS.Um livro repleto de perguntas inquietantes. Como estas, por exemplo: Será que uma guerra pela água perturbará o planeta ainda neste século? Por que estão aumentando tanto os desertos?Em Água (Ediouro, 424 páginas, R$ 42,90), o jornalista canadense Marq de Villiers analisa essas e outras questões. Ele, que percorreu o mundo em busca de respostas, descreve os cenários, as cores e os movimentos de cada lugar por onde passou e apresenta um diagnóstico comentado do futuro do nosso mais precioso recurso natural.A água é, sabidamente, a força da vida e seu nutriente. No entanto, os recursos hídricos da Terra a cada dia tornam-se mais escassos. Somente um terço das águas que fluem para o mar é acessível aos homens. Dessa quantidade, a maior parte já foi usada, apropriada e, finalmente, degradada.Marq de Villiers, ex-editor do Toronto Life, fez da água a sua maior preocupação, e não apenas uma questão técnica a ser estudada através de tabelas e medidas. Seu livro, premiado na Espanha e Canadá (vencedor do Governor General´s award), é o resultado de mais de trinta anos "coletando amostras de água" em todas as partes do mundo. Villiers passou por rios do deserto africano e observou a diminuição progressiva de suas vazões. Acompanhou os meandros do Eufrates, ao longo das regiões que abrigam culturas milenares, e apreciou o cortejo contínuo de icebergs na Terra Nova, tecendo considerações sobre o degelo dessas montanhas, conseqüência provável da elevação da temperatura na Terra no decorrer dos anos.Ao combinar relatos e impressões de sua passagem pelos diversos cantos do mundo, descrevendo minuciosamente as cores e gentes, o jornalista constrói uma narrativa tão suave quanto reveladora sobre uma questão que envolve o futuro da própria humanidade.AS MAIS BELAS (E MARCANTES) HISTÓRIAS DA BÍBLIA. EM EDIÇÃO DE LUXO.Uma seleção das melhores histórias da Bíblia, do Velho e do Novo Testamento. Todas ilustradas. São mais de trezentas. Em Bíblia Sagrada ? Histórias Ilustradas, que acaba de chegar às livrarias, estão, entre outros relatos curtos, a criação de Adão e Eva, a desobediência do primeiro casal, a destruição de Sodoma e Gomorra, a barca de Noé e os dias do dilúvio, José e seus irmãos, o nascimento de Jesus e suas andanças pela Galiléia.O livro (Sociedade Bíblica do Brasil, 399 páginas, R$ 29,80), publicado originalmente pela Scandinavia Publishing House, circula hoje pelo mundo em mais de 65 idiomas. Mais de três milhões de exemplares já foram vendidos, segundo os editores brasileiros. As ilustrações são do pintor José Pérez Montero.OS TEMIDOS CORONÉIS DO NORDESTE, EM EDIÇÃO REVISTA E AMPLIADA.As histórias de coronéis temidos no seu tempo. Homens-lenda que ainda hoje percorrem a imaginação de muitas cidades. Em Coronel, coronéis: apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste, lançado pela primeira vez há mais de quarenta anos, Marcos Vinicios Vilaça e Roberto Cavalcanti de Albuquerque apresentam quatro desses personagens que marcaram a política do seu tempo no Alto Sertão e no Agreste de Pernambuco.O livro acaba de chegar à quarta edição. Agora revista e ampliada. Em Coronel, coronéis (Bertrand Brasil, 208 páginas, R$ 29,00), escrito a partir de um trabalho de campo realizado em 1963, os autores mostram o processo de ruptura das estruturas e modos de exercício do poder do coronelismo, fenômeno importante na organização rural do Nordeste até meados do século XX.

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