Francisco Cepeda
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Coronavírus: Artistas entram na luta contra o inimigo comum

Xuxa, Rihanna, James Taylor, entre outros, fazem doações, Lionel Ritchie quer um novo movimento como o USA for Africa, de 1985

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 05h00

O mundo, perplexo, se vê diante de um inimigo comum, o coronavírus. Extremamente perigoso, matando aos milhares, começou pela China e chegou à Europa, África, Américas. Nessa hora, toda a ajuda é muito bem-vinda, seja ela por meio de uma palavra de apoio para combater a solidão para todos que estão em isolamento social, ou em valores monetários, que podem ser usados para comprar equipamentos necessários para hospitais, ou mesmo tentar aplacar a fome dos menos favorecidos. Nesse caso, muitos artistas têm se mostrado dispostos a colocar a mão no bolso, doando altos valores para contribuir nessa luta contra a pandemia de covid-19. Da brasileira Xuxa a nomes internacionais como Rihanna e James Taylor, muitos nomes já se manifestaram dispondo de dinheiro em prol dessa luta mundial.

Entre os mais recentes a se prontificarem a ajudar nessa luta, está James Taylor. O cantor e sua mulher Kim doaram US$ 1 milhão ao Massachusetts General Hospital em Boston para ajudar a combater a propagação do novo coronavírus. O montante ajudará na aquisição de suprimentos e equipamentos, reutilização de espaço ou a pesquisa em andamento para tratamentos e prevenção da covid-19.

Por meio da empresa Espaçolaser, da qual é sócia, a apresentadora Xuxa Meneghel doou R$ 1 milhão para o SUS (Sistema Único de Saúde). E a eterna Rainha dos Baixinhos apoiou esta semana uma outra ação, que foi a doação de 300 mil sabonetes, que levam sua marca, Xuxinha, para famílias carentes do Rio de Janeiro - um item de extremo valor nessa guerra, que precisa ser combatida com higiene. 

A atriz Angelina Jolie, ativista em questões de direitos humanos, dispôs de US$ 1 milhão, que será destinado à organização No Kid Hungry. O valor servirá de ajuda para alimentar crianças que estão longe das escolas em virtude da pandemia de coronavírus e, consequentemente, sem contar com a merenda diária.

Um dos primeiros a entrar nessa luta foi o cantor Justin Bieber, que fez uma doação, sem divulgar o valor, para a ONG chinesa Chunmiao Children Aid Foundation, que cuida de crianças. A iniciativa do canadense no combate ao coronavírus foi realizada em fevereiro.

Por meio de sua fundação, a cantora Rihanna doou US$ 5 milhões para ajudar na luta contra a pandemia de covid-19. O alto valor foi distribuído entre diferentes entidades de diversos países e regiões, incluindo a OMS. Do Oriente, surgiu o jovem músico Fundo, que administra a herança do Rei do Pop, Michael Jackson e também contribuiu com US$ 300 mil. Foram escolhidas comunidades que vem sendo fortemente atingidas pelos reflexos da pandemia. A doação será destinada a três organizações, a Broadway Cares, Three Square Food Bank (banco de alimentos do sul de Nevada) e MusiCares, sendo que cada uma receberá US$ 100 mil.

O cantor Suga, que integra a boyband de k-pop BTS, vai doar cerca de R$ 370 mil, para auxiliar o combate em seu país, a Coreia do Sul, um dos únicos asiáticos, aliás, junto com a China, que conseguiu achatar a curva de novas infecções. Grande vencedor do Oscar 2020 com o filme Parasita, o diretor Bong Joon-Ho não ficou de fora e também fez uma doação no valor de R$ 470 mil. Montante foi destinado à Hope Bridge, uma associação nacional de ajuda em desastres da Coreia do Sul e que está nesse combate ao coronavírus no país.

O casal de atores Blake Lively e Ryan Reynolds doou R$ 4,95 milhões para ajudar na luta contra a covid-19. O valor foi destinado a duas instituições beneficentes dos Estados Unidos e do Canadá, que cuidam de distribuição de alimentos.

O mundo da moda também não ficou de fora, com Giorgio Armani doando a quantia de 1,25 milhão de euros (R$ 6,74 milhões) para colaborar com o combate do vírus na Itália, onde a infestação está em altos números. A verba doada pelo estilista será destinada aos hospitais Luigi Sacco, San Raffaele, ao Instituto do Câncer de Milão, ao Instituto Spallanzani de Roma e à Defesa Civil. 

A Gucci destinou 1 milhão de euros para a Proteção Civil da Itália e a mesma quantia para a OMS, sendo seguida pela Bulgari, que anunciou a doação de cerca de 200 mil frascos de álcool gel para médicos, enfermeiros e equipes sanitárias da Itália.

Por ser uma pandemia e, portanto, envolver todo o planeta, o novo coronavírus motivou pessoas em todos o cantos, incentivando o surgimento de inúmeras propostas com o intuito de ajudar a passar por essa fase. Em um post no Twitter, o cantor britânico Liam Gallagher fez um apelo ao irmão, Noel, sugerindo um show beneficente do Oasis pós-coronavírus. Como estão brigados há anos, depois da apresentação cada retornaria à sua vida e suas carreiras solo.

Outra proposta, mais ampla, que demanda a união em larga escala, é a encampada pelo cantor Lionel Richie. É bom lembrar que ele participou, em 1984, do projeto USA for Africa, que arrecadou dinheiro para tentar aplacar a fome naquele continente. E, agora, o músico assume uma nova empreitada de mesma envergadura - como na primeira versão, que contou com 45 artistas, que gravaram a música We Are The Wold, a ideia é fazer o mesmo, contando com apoio de outros músicos, que gravariam suas partes separadamente e as mandariam para uma edição. 

Atletas ajudam instituições no combate o coronavírus

Nesses tempos sombrios, de reclusão e medo, há espaço para solidariedade. Esportistas estendem as mãos em benefício de instituições de saúde que trabalham para combater a covid-19. Eventos esportivos foram cancelados. O futebol parou e apenas ligas menores insistem em rolar a bola. Messi doou 1 milhão de euros, o equivalente a R$ 5,5 milhões, para os que cuidam dos enfermos do novo coronavírus em Barcelona, cidade que o abraça desde os 14 anos, mas também para a Argentina. 

Roger Federer assinou cheque de 1 milhão de francos suíços (R$ 5 milhões) para as pessoas necessitadas da Suíça, onde mora. O gesto vem se espalhando num mundo bem mais solidário do que se imaginava.

Até antes da explosão do vírus, era cada um por si. Conflitos, fome, fronteiras fechadas, muros erguidos. Tal cenário poderá ser repensado quando tudo isso acabar. Ajudar nunca foi demais. “São tempos desafiadores e ninguém pode ficar para trás. Nossa contribuição é um começo. Espero que outros se juntem a nós”, diz o suíço. “Juntos, podemos superar a crise.”

Messi é sensível ao sofrimento da Espanha. Sempre foram os espanhóis os primeiros a aplaudir o que fazia em campo. O país é atingido no coração. Passou a China na contagem dos mortos. Respira o pavor dos italianos, com recordes de vítimas diariamente. Ninguém é indiferente à pandemia. A comunidade esportiva arrecadou R$ 170 milhões em doações./COLABOROU ROBSON MORELLI

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