Coreto Abalado

A bem-sucedida Semana da Canção Brasileira, realizada em São Luiz do Paraitinga, [br]pretende ter sua maior edição em setembro, mas está ameaçada por falta de patrocínio

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

Desde que a cantora Suzana Salles conseguiu tornar viável a Semana da Canção Brasileira, em São Luiz do Paraitinga, o evento vem crescendo e ganhando reconhecimento de músicos e especialistas. A quarta edição, programada para setembro, pretende ser ainda maior em sua abrangência e na inclusão de grandes nomes da MPB, que por enquanto não podem ser revelados.

O elenco de possíveis nomes ? do rock, do Clube da Esquina, do samba, do Nordeste, do Sul, da nova geração paulistana, da música eletrônica, da percussão e da canção infantil, entre outras vertentes ? é vitaminado. A maioria já se comprometeu com a Semana, mas ninguém assinou contrato porque o evento está ameaçado, por falta de patrocínio. Apenas uma empresa de cosméticos manifestou intenção de bancar os custos do festival de canções inéditas, que acontece dentro da Semana, orçada em R$ 3 milhões.

Este ano a situação se agravou por conta da inundação que arrasou a cidade no réveillon. Todo o material de estruturas de palco que a produção veio deixando na cidade ao longo desses anos foi destruído. Lugares como a Capela das Mercês e o Espaço da Cultura Caipira, onde eram realizadas oficinas, foram destruídos. E até as casas usadas como camarins, também estão comprometidas com infiltrações e rachaduras. As aulas shows este ano vão para a Igreja do Rosário. As pousadas, como a Primavera, liberaram áreas comuns para oficinas.

"O projeto está muito bem consolidado e a gente precisa mantê-lo no mesmo ritmo. Agora, diferentemente dos outros anos, a gente não tem verbas já estabelecidas. Estamos dependendo totalmente de patrocínio", diz a produtora Gisele Jordão, do Coletivo de Produção, que cuida de toda a logística da Semana. "Por conta da inundação, tivemos de aguardar uma série de decisões da cidade, para saber se daria para realizar a Semana este ano, onde fazer, já que muitos lugares foram prejudicados pela água, e quanto custaria. Isso atrasou todo o planejamento."

A prefeitura liberou o uso do Coreto Elpídio dos Santos, palco dos maiores shows, e a escadaria da Igreja Matriz, que foi totalmente destruída, para acomodação do público, mais o Coretinho e o Mercado Municipal, que ficou com o sistema elétrico comprometido. Mas, como lembra Gisele, a Semana não é só show. Palestras e oficinas fazem parte do trabalho de formação de público, com colaboração efetiva de professores e artistas, e de especialização de mão de obra, envolvendo os habitantes da cidade, que é de natureza musical. "A gente tem planos de criar site, lançar CD, DVD, fazer um documentário sobre a Semana. Isso todo ano é orçado, mas nunca consigo dinheiro pra isso", diz Gisele.

"Temos sofrido muita comparação com a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), o orçamento deles é três vezes o nosso, mas nós movimentamos um número de pessoas semelhantes aos deles. Eles discutem literatura e nós discutimos canção, que é um dos patrimônios do País."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.