Jônia Guimarães/Divulgação
Jônia Guimarães/Divulgação

Coreógrafo Maurício de Oliveira apresenta trabalho inédito

'Objeto Gritante' fica em cartaz até o dia 29 de maio no Teatro de Dança, em São Paulo

Julia Baptista - Estadão.com.br,

11 de maio de 2011 | 17h42

Em uma semana e meia, o coreógrafo e dançarino goiano Maurício de Oliveira, 44 anos, teve de adaptar o espetáculo inédito Objeto Gritante, fruto de três meses de trabalho e concebido para a bailarina Marina Salgado, para um novo intérprete, que atuará ao lado dele. Marina se machucou e teve de ser operada.  Então, Ditto Leite assumiu o posto. "Tive muita sorte em tê-lo", elogia Maurício, que está à frente da Cia. Maurício de Oliveira e Siameses desde 2005, época que voltou da Alemanha, onde viveu por 11 anos. Lá, integrou, entre outros, o Choreographishes Theater Von Johan Kresnik.

Objeto Gritante será apresentado desta quinta-feira, 12, ao dia 29, na 6ª edição do Artista na Casa, evento realizado pelo Teatro de Dança, instituição da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Além da dança, o espetáculo, uma co-produção da companhia de Maurício com a Duda Paiva Company, tem texto livremente adaptado do livro Carta Para Atores, do francês Valère Novarina.

O artista plástico Duda Paiva foi o responsável pela criação das máscaras de espuma usadas no espetáculo. "Duda Paiva criou os bonecos baseados nos meus antigos desenhos. Ele deu uma tridimensionalidade nas coisas que eu faço. Materializou uma ideia minha", explica Maurício. Na entrevista abaixo, o coreógrafo fala sobre o projeto, a trajetória profissional e o futuro da dança.

Qual o mote do espetáculo?

Não é uma crítica. É uma reflexão. A gente joga uma questão, que é a questão das máscaras sociais. Além dessa questão, a da utilização que o ser humano faz dessas máscaras sociais para se colocar dentro da sociedade, a gente traz a questão do ofício do artista das artes cênicas. Essa necessidade que temos de, eventualmente, diariamente, desvendar o nosso ser em nome de uma transparência. E a pergunta que a gente faz é: Pra onde a gente vai com essa transparência? Questão jogada para o público.

Como surgiu a parceria com a companhia de Duda Paiva?

Esse é o primeiro trabalho juntos, mas nos conhecemos desde os 14 anos. Somos de Goiânia. Depois de um certo período, fomos para a Europa onde o Duda ficou. Já está há 16 anos morando em Amsterdã. Eu fiquei 11 anos morando entre a Alemanha e a Holanda. A gente sempre teve esse desejo de trabalhar juntos, mas nunca deu certo. Agora, como a companhia dele tem um respaldo do governo holandês, a gente conseguiu uma verba para levantar esse espetáculo, que é uma co-produção da Duda Paiva Company e a minha.

A sua formação é em balé clássico?

Royal Academy of London tinha uma extensão no País, onde me formei em balé clássico. As minhas habilidades naturais me levaram para a dança contemporânea. O balé era a maneira de estruturar meu corpo, preparar para o cotidiano. Tenho formação em Artes Visuais, que eu estudei em Goiânia, aos 16 anos.

Como você vê o cenário da dança no mundo hoje?

O que eu percebo é que não existe mais espaço para grandes instituições e como se elas estivessem todas se desmoronando. O que é exigido hoje não é mais a formação de grandes instituições, mas pequenos grupos que se formam, artistas que se unem para desenvolver um trabalho de característica mais autoral. A impressão que eu tenho é que essas grande instituições não sobreviverão por muito tempo.

SERVIÇO:

Artista da Casa, 6ª edição

De 12 a 29 de maio de 2011

Quinta e sexta às 21h, Sábado às 20h, domingo às 18h, R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia)

Teatro de Dança - Av. Ipiranga, 344 - Subsolo, Edifício Itália - São Paulo

Tel.: (11) 2189-2555 (bilheteria) / 2189-2557 (informações) 

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