Coreógrafo japonês apresenta "Kazahana" em SP

Para o artista plástico e coreógrafo japonês Saburo Teshigawara, a dança é uma expressão artística difícil de descrever. Entre as décadas de 70 e 80, ele se viu cercado por uma série de rótulos: dança moderna, butô, balé clássico. Para fugir deles, em 1985, Teshigawara decidiu criar um grupo com o propósito de pesquisar uma nova forma de beleza. Segundo Teshigawara, a dança envolve elementos das artes da música, exige visão histórica e consciência metodológica por parte do criador. De acordo com ele, todas as categorizações tolhem a criatividade. E é justamente essa busca pela liberdade que marca a Cia. Karas, que abre no sábado a temporada 2005 do Teatro Alfa, com o espetáculo Kazahana. A palavra kazahana, traduzida para o português, significa flor do vento. O título revela a poesia e a delicadeza presentes na coreografia. Teshigawara brinca com as sensações do espectador, que a cada instante é surpreendido por uma ilusão de óptica à base de efeitos visuais. A coreografia é construída quadro a quadro, cena por cena. As cores das luzes e a música minimalista marcam a movimentação. A crítica do jornal The New York Times, Anna Kisselgoff, descreve Kazahana como o cubismo na pintura, que revela a realidade interior por meio de formas fragmentadas. Consagrado no exterior, porém pouco conhecido no Brasil, Teshigawara, um homem de poucas palavras, em entrevista à Agência Estado define Kazahana como "momentos especiais em que o tempo aparece de forma irregular". Ele acredita que vivemos cercados pelo visível e invisível. "Na dança, nós podemos criar o invisível, algo que pode ser visto pelo público." Uma novidade dentro da programação deste ano será um debate que precede a estréia de cada espetáculo. Neste sábado, a crítica Helena Katz fará uma introdução sobre a trajetória da Cia. Karas, em especial sobre a concepção de dança de Teshigawara. Kazahana. Teatro Alfa (1.134 lugares). Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, São Paulo, tel. (011) 5693-4000. Sábado, às 21 horas; domingo, às 18 horas. Ingressos de R$ 30 a R$ 90

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