Reuters - 25/06/09
Reuters - 25/06/09

Coreógrafo: Jackson estava mal dias antes da morte

Distrito de Los Angeles faz audiência preliminar para avaliar se Murray deve ser julgado por morte do astro

Linda Deutsch, da Associated Press com Reuters

04 de janeiro de 2011 | 20h28

Michael Jackson se via doente e em más condições seis dias antes de morrer e se retirou mais cedo dos ensaios, disse nesta terça-feira, 4, a um juiz o coreógrafo e produtor Kenny Ortega, a última pessoa que trabalhou com o Rei do Pop na turnê que nunca se concretizou.

 

Ortega, que ao ver que Jackson não parecia bem lhe recomendou ir mais cedo para casa, declarou que na manhã seguinte o chamaram na mansão do artista, onde o doutor Conrad Murray lhe disse que não buscou se comportar como o médico ou o psquiatra de Jackson.

 

Murray sugeriu que não mandou Jackson de volta à casa porque ele estava bem emocional e fisicamente, declarou Ortega.

 

O coreógrafo apresentou seu testemunho durante uma audiência preliminar para determinar se Murray, o médico pessoal do cantor, será julgado por homicídio involuntário.

 

O vice-promotor do distrito de Los Angeles, David Walgren, abriu a sessão dizendo que Jackson já estava morto quando Murray pediu ajuda e que o médico tentou ocultar que havia administrado um potente anestésico propofol ao astro do pop, pedindo a um segurança que fizesse algumas coisas antes de chamar os paramédicos.

 

Ortega, que logo dirigiu o filme sobre o concerto de Jackson This Is It com material gravado durante os preparativos, declarou que Jackson estava de bom humor na maioria dos ensaios, emocionado pelos avanços que haviam conseguido parra a série de concertos em Londres.

 

Nos dias anteriores a sua morte, declarou, Jackson lhe disse que não havia nada com que se preocupar e lhe deu um grande abraço.

 

Ortega disse que começou a se preocupar em 19 de junho de 2009 quando Jackson chegou a ensaiar Staples Center.

 

"Não estava nada bem. Estava gelado e falava baixinho... Não estava em condições de ensaiar", expressou Ortega.

 

Walgren, no entanto, disse a princípio de sua investigação que Jackson havia tido um ensaio "fantástico" dois dias antes de morrer e estava pronto para viajar a Londres nos próximos dias.

O cantor morreu em 25 de junho. As autoridades argumentam que Murray lhe proporcionou uma dose letal de propofol e outros sedativos no quarto da mansão que Jackson havia alugado.

 

"As evidências demonstrarão através da declaração de especialistas, que de qualquer forma, Michael Jackson já estava morto no quarto da North Carrolwood, 100, antes da chegada dos paramédicos", disse Walgren.

 

Murray, médico com consultórios em Houston e Las Vegas, foi contratado para tratar de Jackson antes de uma série de concertos em Londres, que deveriam começar em julho.

 

Os promotores acreditam que Murray administrou uma overdose de propofol. Na audiência preliminar, que vai oferecer provas para avançar essa teoria, um juiz irá determinar se os fatos são suficientes para trazer Murray a julgamento, possivelmente diante de um júri.

 

Murray admitiu ter dado propofol a Jackson, mas não se confessou culpado da acusação.

 

Em uma audiência separada na semana passada, Walgren disse que a promotoria acredita que a defesa vai alegar que Jackson pode ter morrido ao injetar o propofol em si mesmo.

 

Os promotores esperam chamar até 30 testemunhas para depor na audiência preliminar.

 

Após as declarações de abertura, Walgren chamou um colaborador de Jackson, Kenny Ortega, para depor. Na audiência estavam a mãe de Jackson, Katherine, sua irmã La Toya e irmão Jackie.

 

Especialistas acreditam que o juiz levará o caso a julgamento.

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