Coréia expõe fotos de Arthur Omar

Dentre uma seleção de artistas de todo o mundo, Arthur Omar foi o escolhido para representar o Brasil na exposição Babel 2002, que será inaugurada nesta quarta-feira e ficará em cartaz até 4 de agosto no Museu de Arte Contemporânea da Coréia, em meio a todo esse clima de Copa do Mundo. O propósito do curador coreano Junmo Chung foi convidar um ou mais artistas de cada país que participa da Copa para pensar suas obras a partir de um tema comum: "Races-Faces", ou seja, os retratos de cada uma das diferentes culturas. Citando outros representantes, integram Babel 2002 Jenny Holzer e Chuck Close, dos Estados Unidos; Thomas Ruff, que teve sala especial nessa 25.ª Bienal de São Paulo; Christian Jankowski, da Alemanha; e Orlan, da França, entre outros. Nessa mostra, Arthur Omar apresentará dez fotografias em grande formato (1,50 m x 1,50 m) que fazem parte da série Antropologia da Face Gloriosa, uma seqüência de retratos de rostos. "Essa série é uma coleção infinita que venho fazendo desde 1973, mas que eu não mostrava, só começou a aparecer na década de 90. A imagem para mim não tem um lugar definitivo e único, ela pode ser retomada, transformada. A cada momento vou reinterpretando os trabalhos que realizei ao longo da minha trajetória", diz Omar. Se em 1998 o artista mostrou uma "muralha da China de rostos", agora a reinterpretação de suas imagens se dá no uso das cores "enquanto intensidade". Fusão de fotografia e pintura, como descreve o artista, os retratos dessa versão de Antropologia da Face Gloriosa são destacados pelo vermelho, verde e azul, as cores primárias da luz. Antropologia RGB (red, green and blue) é como ele rebatizou a série para a Coréia. Mas as transformações não se dão só em cores como também em texturas e os sentidos das imagens. E o trabalho de reinterpretação de fotografias ainda vai se estender para outra exposição no exterior _ uma mostra que ocorrerá entre dia 22 e 20 de setembro, na Fundação Santillana, na Espanha. Arthur Omar conta que será um trabalho de forma virtual, mil variações de cem imagens de rostos da mesma série Antropologia da Face Gloriosa projetadas em oito telas. "O público ficará envolvido no meio das projeções, espaço em que as cores parecem flutuar", afirma. Esse trabalho integrará o módulo Celebração da exposição intitulada Ressonâncias do Brasil. De sua pesquisa sobre fotografia Omar defende que tenta representar o Brasil de um modo diferente do padrão que é mostrado no exterior. "Quero sair da retórica visual e costumeira, fugir desse discurso sociológico e documental." Para descrever seu modo, diz que seu ser diferente está no fato de que em seu trabalho, "tudo é hiperreal e surreal". O principal é a "captura do êxtase", revelado em rostos. O outro modo de representar o Brasil é por meio de suas paisagens, material que renderá o livro O Esplendor dos Contrários, previsto para ser lançado pela editora Cosac & Naify entre setembro e outubro. Segundo Arthur Omar, a edição contará com 300 fotografias da Amazônia, de Minas Gerais e de outras paisagens do País, além de textos de sua autoria, como um ensaio sobre a origem do azul em suas imagens. "Em vez de ser documental, procuro a carga emocional das imagens. São alusões de lugares que não existem, paisagens estranhas e, ao mesmo tempo, simbólicas", diz. Segundo ele, essa idéia esteve presente na série sobre o Afeganistão, mostrada na 25.ª Bienal de São Paulo encerrada no domingo.

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