Coreana vence Smirnoff Fashion Awards

A coreana radicada no Brasil Bong Yeon Nam ganhou o primeiro lugar no concurso internacional Smirnoff Fashion Awards e irá disputar a final mundial em Nova York. "Quero muito ganhar com meu traje, que mistura minhas raízes orientais e brasileiras", disse Bong. Lá participarão outros novos talentos da moda do mundo inteiro concorrendo a um prêmio de US$ 75 mil, uma bolsa de estudos na St Martin´s College, em Londres, e divulgação paga para um ano. O evento está na sua sétima edição e desta vez foi realizado numa tenda montada na praça em frente ao restaurante Spot, com direito a uma fonte d´água incorporada ao cenário. A atriz e ex-modelo Betty Lago abriu a noite e anunciou os outros ganhadores: Simone Coimbra, do Rio de Janeiro, em segundo lugar, e Eduardo Inagaki, em terceiro lugar.Com caráter vanguardista, o evento promove a descoberta de novos talentos entre estudantes de moda e design. Desde sua criação, já premiou vários brasileiros. Nomes como Ronaldo Fraga, Jota Sybalenna, Lorenzo Merlino e Annelise de Sales foram revelações no Smirnoff, que atualmente é realizado em trinta países.O concurso teve por tema "Liberação". E trouxe algumas novidades. A primeira é a elevação do prêmio para o primeiro lugar de US$ 75 mil e a mudança dos critérios de seleção. Desta vez cada estilista enviou dois croquis. Um total de dez participantes, de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, foram selecionados entre trezentos candidatos por um júri composto pelos estilistas Marcelo Sommer, Ronaldo Fraga, Lorenzo Merlino, Luiza Pimenta e os stylist Paulo Martinez e Cesar Fassina.A primeira apresentação da noite foi da vencedora Bong, que agradou com os dois trajes de inspiração oriental. Formada pela Faculdade Santa Marcelina há dois anos e atual estilista da confecção Mire, no Brás, Bong criou seus modelos inpirando-se nos anos 20 e no movimento modernista, com especial atenção à obra de Vicente do Rego Monteiro.Para o traje vanguardista a estilista criou uma pantalona jeans nervurada e trançada com uma barra volumosa e bufante. Segundo a estilista, remete às formas de Tarsila do Amaral. "É uma versão contemporânea do Abaporu", explica. Na parte de cima, um top assimétrico em algodão matelassado nas cores creme, vermelho preto. Para os pés, botas em lã xadrez. A versão comercial é um desdobramento da primeira, com um visual mais clean. Na calça, foi retirado o matelassado e utilizado o jeans bruto. Na parte de cima, o top assimétrico e mais ousado transformou-se num casaco. Nascida em Seul, Bong tem como ídolos os estilistas Walter Rodrigues, Jean Paul Gaultier e Chanel.O segundo lugar ficou com Simone Coimbra Rodrigues, 32 anos, estudante do primeiro ano de estilismo da Universidade Cândido Mendes, que também trabalha no desenvolvimento e execução de estampas, pinturas manuais e materiais alternativos para a confecção Midnight em Niterói. Para ela, a morte e a transformação da matéria em espírito é a maior "liberação" que um indivíduo pode ter. Ela mostrou um traje que representasse a liberação do peso e dos preconceitos sociais. No traje criativo exibiu um corselet de silicone e seda junto ao corpo, metáfora do apego material. A continuação da roupa é uma espécie de saia recortada em várias partes e cores, representando a transformação do estado material para o estado espiritual. O traje comercial é um desdobramento deste: um vestido de seda colorido.A terceira colocação para Edurado Inagaki, 22 anos, que já trabalhou com Walter Rodrigues e já participou do projeto Novíssimos Criadores na Fenit 2000, foi motivo de comemoração. "Este prêmio vai impulsionar minha carreira. Espero agora conseguir patrocínios para continuar a trabalhar a desenvolver minha marca e fazer novas pesquisas com cacos de plástico contact, matéria prima que venho usando nas minhas criações", diz. Os vestidos vencedores também apresentaram mais uma de suas pesquisas nesta área: vestidos cor de pele em tule bordados com o material.O evento continua agora com a final internacional em Nova York, dia 15 de novembro. O Brasil tem histórico positivo no Smirnoff, estando três vezes entre os três primeiros colocados, nas seis vezes que estilistas nacionais participaram.

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