Cordeiro do Maranhão expõe em SP

Durante a montagem da mostra que inaugura amanhã, na Caribé Galeria de Arte, Francisco das Chagas Cordeiro de Almeida, o Cordeiro do Maranhão, foi até a Favela do Jaguaré ministrar um workshop para crianças. "Gosto de me sentir mais próximo de Deus", comenta ele, que volta a expor em São Paulo com uma série de esculturas e outra de pintura a partir de amanhã, para convidados, e de quinta-feira, para o público.Cordeiro diz que uma de suas principais atividades com a arte é a educação. Ele, que foi autodidata desde a infância em São Luís e até os 20 anos, quando foi parar no Parque Lage, no Rio, extrai de seu trabalho com crianças alguns dos principais fundamentos de seu trabalho. Tanto que, as esculturas, principais obras da exposição, trazem personagens de histórias do folclore nordestino que se perpetuam por meio de cantigas de roda e histórias de dormir. E as pinturas trazem as cores primárias e elementos do universo infantil como as pipas. "Mais que isso, gosto de lidar com crianças para me aproximar dessa criatividade pura que só existe nessa fase de ingenuidade", explica ele. Os personagens de Cordeiro do Maranhão são cortadores da cana, carvoeiros, pescadores e sorveteiros, em peças batizadas com esses nomes. O elegante elenco de figuras da cultura popular do Nordeste foi inteiro feito de sucata. Isso porque, acrescenta Cordeiro, catar lata é outra importante atividade de sua profissão. "Um ferro velho tem tudo o que um escultor precisa para trabalhar", comenta ele. "O resto é esforço".Apesar de atuar com outras linguagens, como o desenho e a pintura, Cordeiro do Maranhão conta que se realiza mostrando peças a partir de vestígios metálicos. Foi assim que, aos 5 anos ele iniciou suas atividades, empilhando coisas que ninguém queria mais. Depois de passar por uma série de cursos de formação e realizar obras em diferentes linguagens por encomenda Cordeiro continua ensinando para as crianças a importância do material com o qual ele mais gosta de lidar, a sucata, que contém, a seu ver, a poética de seu trabalho. "Nada no mundo pode ter a riqueza cromática e a variação da textura da sucata".Cordeiro se refere a essas cores e texturas também em sua pintura. Quando não o faz a partir de colagens e depósitos do próprio material sobre a tela, o artista plástico traz para a pintura a presença da ferrugem e dos vestígios metálicos por meio das tintas. Um exemplo disso é a tela Fundição, um grande retângulo pintado com manchas sobrepostas de vermelho, marrom e amarelo.Cordeiro do Maranhão. De 2.ª a 6.ª, das 9 às 18 h; sáb., das 10 às 13 h. Caribé Galeria de Arte. R. Monte Alegre, 47, tel. 3862-6362). Até 14/7

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