Coral Paulistano pode deixar o Teatro Municipal

Medida seria alternativa à união com o Coral Lírico; segundo fundação, o que existem são apenas 'estudos'

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 02h11

O Conselho Deliberativo da Fundação Teatro Municipal de São Paulo vai se reunir no dia 6 de novembro, quando deve discutir a proposta de unificação dos dois conjuntos vocais do teatro, o Coral Lírico Municipal e o Coral Paulistano.

A proposta está em estudo desde meados de setembro, quando os artistas dos dois conjuntos foram comunicados por seus regentes de que a medida tinha como propósito "racionalizar o trabalho e diminuir o custo operacional desses corpos estáveis", permitindo ao teatro se dedicar ao que seus diretores consideram sua vocação única, a ópera. Ainda segundo nota oficial distribuída pelo Municipal na ocasião, a união, se aceita pelo conselho, não implicaria em demissões de cantores.

A possível união dos coros tem provocado reações da classe artística e de estudiosos da obra de Mário de Andrade, responsável por criar o Coral Paulistano na década de 30, com o objetivo de divulgar a música brasileira. Um abaixo-assinado virtual, que já conta com quase 7 mil assinaturas, foi criado e, na sexta-feira, uma manifestação de cantores contrários à unificação estava sendo marcada para a tarde de amanhã nas imediações da esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta.

A união dos coros não seria, no entanto, a única possibilidade a ser discutida pelo conselho, formado pelos secretários municipais de Cultura e Finanças, Juca Ferreira e Marcos Cruz; pelos músicos Teco Cardoso e Mauro Wrona; pelo filósofo Vladimir Safatle; por Silvana Marani Lopes, representante dos servidores do teatro; e por Danilo Stolagli, representante dos artistas do teatro.

Segundo fontes ligadas à prefeitura, estão sendo estudadas ao menos outras duas possibilidades. A primeira seria fazer do Coral Paulistano uma espécie de eixo central de um projeto de educação musical que está sendo desenvolvido no âmbito municipal; a outra implicaria em retirar o Coral Paulistano da estrutura da Fundação Teatro Municipal, passando o grupo a outra instituição cultural da prefeitura - uma possibilidade seria o Centro Cultural São Paulo.

Procurada pelo Estado, a direção do Municipal não quis comentar a existência de outros destinos possíveis para o Coral Paulistano; e reafirmou, por meio de nota, que não houve ainda nenhuma decisão a respeito da unificação dos coros e que, até agora, há apenas um estudo sendo feito; uma vez concluído, ele será submetido aos conselheiros, a quem caberá discutir a questão. Segundo Mauro Wrona e Vladimir Safatle, dois membros do conselho ouvidos ontem pela reportagem do Estado, o teatro ainda não os comunicou oficialmente a respeito da questão.

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