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'Corações Sujos' é uma antiepopeia sobre a alienação humana na guerra

Longa-metragem do diretor Vicente Amorim chega aos cinemas nacionais nesta sexta-feira

O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h10

Crítica: Luiz Carlos Merten

Avaliação: Bom

Além dos elogios da crítica japonesa - 'poderoso', 'estupendo' -, o longa que Vicente Amorim e o roteirista David França Mendes adaptaram do livro de Fernando Morais ganhou um admirador de peso no Brasil. Fernando Meirelles tem anunciado aos quatro ventos que Corações Sujos é muito bom e isso não deixa de ser prova de generosidade e maturidade do diretor de 360, que também estreia hoje nos cinemas do País. Dois diretores brasileiros que assinam coproduções internacionais e disputam um espaço que anda refratário mesmo aos bons filmes nacionais. Apesar de suas belas qualidades, o desempenho de À Beira do Caminho, de Breno Silveira, tem sido decepcionante. Pela lógica competitiva do mercado, não é hora de trocar gentilezas, como faz Meirelles.

Mas o filme de Amorim merece. Na entrevista, ele admite o que qualquer cinéfilo poderá verificar - ele já estava de olho em Corações Sujos quando fez Um Homem Bom e é agora como se estivesse retomando o personagem de Viggo Mortensen no fotógrafo japonês do novo filme. É outro 'homem' colhido no turbilhão da guerra e empurrado pelo radicalismo do 'coronel', que não é nenhum monstro, mas um homem que age de acordo com suas convicções e o problema é que elas são estreitas.

Um filme sólido, muito benfeito, profissional. O problema de Corações Sujos, se há algum, é que os protagonistas dessa luta inglória não reclamam a identificação do espectador. Pelo contrário, expondo os lados em disputa - a posição dos brasileiros e o conflito entre os japoneses que acreditam na derrota japonesa na 2.ª Guerra (os 'sujos') e os outros -, o filme busca estabelecer uma distância. Ela vem por uma diferença essencial em relação ao livro. A história 'masculina' de Fernando Morais vira, com Amorim, reminiscência de uma mulher, que é a narradora. Como foi possível que isso ocorresse? Há algo de A Ponte do Rio Kwai, de David Lean, nessa antiepopeia. Outra história de alienação humana. Densa e, por quer não dizer?, triste.

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