Coprodução na mira da 'ofensiva'

Vale lembrar que a "ofensiva europeia" não se restringe à ocupação das salas de cinema nacionais. De olho em um mercado que cresce tanto como espectador quanto como força criativa, cada vez mais os países europeus realizam filmes em parceria com o Brasil. "A Europa está estagnada e o Brasil está em expansão. Natural que as duas forças se unam para produzir", comenta o produtor italiano Daniele Mazzocca.

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

Parceiro de projetos como O Meu País, com a brasileira Gullane Filmes e dirigido por André Ristum, Mazzocca vê nas relações de coprodução, tanto as de iniciativa "privada" quantos os editais e fundos de coprodução com a Europa, a saída para que "mercados paralelos" possam se fortalecer e crescer. "No meu caso, falo das coproduções com a Itália, mas podemos pensar na Europa como um todo. O domínio do mercado mundial, claro, é de Hollywood. Para que produções paralelas se mantenham e ocupem seu espaço, a coprodução é a melhor saída. Isso já funciona muito bem entre países europeus. Sem isso, não haveria cinema na Europa hoje. Funciona também com a Argentina. Agora, finalmente, a produção com o Brasil começa a tomar corpo", analisa o produtor que esteve no País na semana passada para participar dos workshops ministrados na Faap, durante a 6.ª Semana Pirelli de Cinema Italiano. Ao lado dos brasileiros Matias Mariani e Fabiano Gullane, Mazzocca falou de sua experiência e de como explorar os elementos artísticos e financeiros entre os dois países. "Mais que questão de coprodução, a questão cultural é crucial para essas parcerias. É tão claro que Brasil e Itália têm tanto em comum, e não só pelos 25 milhões de descendentes de italianos que vivem aqui, que não podemos deixar de incentivar esse diálogo", diz Erica Bernardini, diretora de marketing da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura, que organizou a Semana. "No início, a Câmara recebeu críticas por tratar de um assunto cultural, mas, provando que cinema é indústria, mantivemos as ações. Hoje, já colhemos os primeiros frutos."

Por frutos, pode-se entender tanto as coproduções quanto a participação brasileira em festivais na Itália. "Agimos em parceria com a Ancine e o Cinema do Brasil em festivais como Roma e Taormina, para onde vão delegações brasileiras. "Brigamos" por mais espaço brasileiro nas mostras competitivas. Isso tende a aumentar com o novo edital de coprodução entre os dois países."

Mazzocca concorda. Coprodutor de A Montanha (novo longa de Vicente Amorim, com produção brasileira da Primo Filmes), ele prepara as filmagens da "fase Itália" do filme para fins de janeiro. "Com O Meu País, entramos com só 10%. Com A Montanha, somos de fato coprodutores. É um filme brasileiro, italiano e português. Este é o caminho. E mais virão." No "por vir", há Vanità, de Giorgio Diritti, que será rodado na Amazônia e produzido pelos dois países, e uma série da RAI sobre Anita Garibaldi.

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