Conversa e boa edição ajudam

Uma boa livraria, na definição do editor e livreiro Alexandre Martins Fontes, "é aquela que atende aos interesses do mercado e faz uma seleção representativa do que se produz no Brasil e no mundo". Dessa forma, diz, é natural que livrarias deem mais atenção a editoras maiores, que mais produzem. "Até estatisticamente é maior a possibilidade de que essas editoras tenham títulos interessantes a oferecer."

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2011 | 00h00

Ainda assim, as duas lojas da Martins Fontes administradas por ele optam por um método que aumenta a probabilidade de um autor independente ou de editora pequena emplacar títulos para venda. Com espaço para 100 mil volumes, o livreiro optou por disponibilizar nas prateleiras só um exemplar de cada título, de modo a oferecer maior variedade. Só nas vitrines e nas "ilhas", reservadas para obras que vendem mais, os títulos aparecem em maior quantidade. Uma loja como a Laselva, por exemplo, uma das maiores redes do mercado, trabalha com 3 mil títulos por loja.

Embora seja comum ouvir de pequenos editores reclamações quanto à dificuldade para conseguir a atenção das grandes redes, a maior parte de autores e editoras independentes consultados pelo Estado afirmou que, se a obra for interessante, o caminho se torna fácil. O escritor Antonio Xerxenesky lembra que, quando participou em Porto Alegre da criação da independente Não Editora, imaginou que a distribuição "seria o grande demônio" do negócio. "Mas, quando levamos nossos livros na Livraria Cultura (de Porto Alegre), fomos muito bem recebidos. As edições são lindas e impressionam muito, passam um ar de profissionalismo. Não tivemos nenhuma barreira ou dificuldade para entrar nas grandes redes."

Sérgio Coutinho, morador de Maceió e autor de dois livros (O Movimento dos Movimentos e Manual de Metodologia para a Pesquisa Jurídica), cuidou pessoalmente da distribuição de suas obras - também tentou primeiro na Livraria Cultura, no Recife. "O responsável por compras encaminha condições gerais do contrato e aguarda resposta por email. É tudo muito rápido", conta. No caso do Manual, a obra mais recente, foram apenas dois dias de conversas. "Amanhã já poderei levar exemplares do livro para Recife. A livraria distribuirá os exemplares entre as diversas unidades. Até o fim da semana o livro estará à venda pelo site." O segredo, diz, é que o autor tenha "menos vaidade e vergonha do que vontade de ser lido".

Menos sorte teve Eduardo Sterzi, que achou fácil emplacar seu livro Prosa só em livrarias pequenas. "Nas grandes foi quase impossível, rendendo até episódios cômicos, como na Fnac. O comprador perguntou: "Este livro é de quê?" Respondi: "De poesia." Ele, olhando para o título na capa, disse: "Prosa, poesia... nada disso vende." E a conversa se encerrou por aí."

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