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Contraste sobre o palco

Sinfônica da USP interpreta hoje e domingo programa com obras de Jean Sibelius e Camargo Guarnieri

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2011 | 00h00

Da densidade nórdica de Jean Sibelius ao colorido de Camargo Guarnieri, a Sinfônica da Universidade de São Paulo faz hoje e domingo dois de seus principais concertos da temporada deste ano. Sob regência de Lígia Amadio, sua titular e diretora artística, o grupo interpreta a Sinfonia n.º 2 do finlandês e o Concerto n.º 2 para Piano e Orquestra do brasileiro, além da Suíte Festiva, de Ronaldo Miranda.

"O programa propõe a combinação da sinfonia densa de Sibelius, com sua dramaticidade forte e contida, com nuances de colorido típicas de um compositor nórdico, com as obras de Guarnieri e Miranda. Guarnieri, de cores extremamente e fortes, com sonoridades abertas, brilhantes e energéticas. De Guarnieri e Sibelius, podemos dizer que comungam posturas filosoficamente nacionalistas em sua produção artística. Mas Miranda é mais universalista, sem deixar de exibir o germe da mesma origem cultural brasileira", explica a maestrina.

Lígia conta que tem relação especial com a obra de Sibelius, que vem passando por processo de reavaliação nas últimas duas décadas. Ele viveu de 1865 a 1957 e, portanto, experimentou um momento de enormes transformações na criação musical, do romantismo à música moderna. Para alguns críticos, o problema de sua obra foi ter passado por esse período alheio ao que de mais novo se fazia em termos de composição, fechado em si mesmo. Para outros, no entanto, é justamente essa capacidade de se manter fiel a si mesmo, criando uma obra extremamente coerente, que faz dele um autor fundamental no período.

"Sua música me toca profundamente", diz Lígia. "Embora ele seja um pouco reiterativo na compleição de seu estilo, é um compositor absolutamente original. Suas sinfonias exploram as melodias cantabiles nas cordas, os grandes corais com contrastes dinâmicos profundamente expressivos nos metais e as filigranas contrapontísticas nas madeiras. É um compositor que utiliza uma paleta de nuances sutis e escuras que nos conduzem imperceptivelmente às mais luminosos e contrastantes tonalidades."

Construção. Pelo ineditismo, no entanto, o principal destaque do programa - que será apresentado hoje na USP, e domingo na Sala São Paulo, é a presença do concerto para piano de Guarnieri, que terá solos da pianista brasileira radicada em Paris Sônia Rubinsky, que recentemente completou a gravação da obra integral para piano solo de Villa-Lobos, compositor do qual Guarnieri foi um dos principais herdeiros estéticos. "Esse concerto é uma de suas melhores realizações no campo da música concertante", explica Lígia. "É extremamente bem construído, orquestra e piano são partes relevantes de uma trama contrapontística que dialoga de maneira equilibrada e dinâmica. E temos em Sônia Rubinsky uma solista de luxo, que utiliza seu aprofundado conhecimento da música brasileira para criar suas concepções pessoais na interpretação desse concerto. Como sempre, exibe uma claridade de touché torneada por uma capacidade de expressividade romântica."

ORQUESTRA SINFÔNICA DA USP

Anfiteatro Camargo Guarnieri. R. do Anfiteatro, tel. 3091-3000. Hoje, 12h. Grátis. Sala São Paulo. Pça. Júlio Prestes, 16, tel. 3223-3966. Dom., 17h. R$ 10 a R$ 50

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