Contos de Fernando Portela, em "Alegro"

Um fantasma que se preocupa com a própria mãe, um comerciante português que adota um adolescente mongolóide abandonado à sua porta, um menino que detecta mentiras apenas pela expressão facial - acreditando que a rotina de uma cidade pode ser marcada por fatos inusitados, o jornalista e escritor Fernando Portela produziu uma série de contos que retratam determinados aspectos da sociedade. Alguns deles foram reunidos e resultaram no livro Allegro - Tragicomédias, Delírios, Realismo Ambigüidades (Terceiro Nome, 416 páginas, R$ 38), que será lançado hoje, a partir das 19 horas, no Restaurante Rôti. São 91 histórias que, como observa Humberto Werneck no prefácio, "por vezes não são histórias, no sentido de algo com princípio, meio e fim, e sim recortes de vida feitos com preciso bisturi de artista". Jornalista de formação (no Jornal da Tarde, exerceu quase todos os cargos na redação e hoje é responsável pelos projetos especiais), Portela conta que nem sempre o trato com a notícia foi sua fonte inspiradora. "Nasci em Olinda e lá, desde pequeno, acostumei-me a ouvir os contadores de histórias que rodeavam a igreja para onde era levado pela minha mãe", afirma. "O mundo, assim, surgia como algo diverso e surpreendente." Com uma imaginação fervilhante, o menino acostumou-se a criar as próprias histórias até que, aos 13 anos, decidiu escrever seu primeiro conto. Produzido à mão e com o título de Mãezinha. "Essa mesma história só foi publicada 30 anos depois, incluída em meu primeiro livro, Leonora Premiada, de 1974", conta o autor. "E não alterei nada." Essa é, aliás, uma das características da produção de Portela, autor de mais de 30 obras, entre ficção, reportagens e livros infanto-juvenis - o uso equilibrado do humor, mesmo em enredos aparentemente terríveis, não revela a urgência com que produz sua escrita. Depois da rotina jornalística, ele se concentra em seu escritório, em uma atitude de quase meditação, e produz uma história por dia. Algumas são de fácil criação, outras nem tanto, mas todas surgem quase de um só rompante. "Não tenho paciência para fazer releituras, o que explica minha pouca disposição para escrever romances", justifica.Leia mais

Agencia Estado,

26 de maio de 2003 | 15h35

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