Consumo de alto luxo cresce no mundo e no Brasil

Cresce o número de consumidores em todo o mundo de produtos de alto luxo. Na mesma medida, crescem os setores da economia, como a indústria têxtil, cosmética, perfumaria, jóias, bebidas, hotelaria e tantos outros que atendem ?o mercado do luxo?. De acordo com Aurora Pimentel, especialista em Imagem Corporativa da Universidad San Pablo de Madri, mais de 25 milhões de lares norte-americanos, que têm entradas anuais superiores a US$ 75 mil, estão puxando o setor.O Brasil também entra na onda, como segundo mercado com maior potencial de crescimento para artigos de luxo, perdendo apenas para a Ásia. O crescimento desse mercado, que movimenta US$ 1,5 bilhão ao ano, baseia-se na motivação de ?realizar sonhos e investir numa sofisticada imagem pessoal?, diz Carlos Ferreirinha, ex-diretor-geral da Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH), em recente evento na Câmara Americana de Comércio em São Paulo.A especialista de Madri analisa que ?há mais mulheres ganhando dinheiro, há mais pessoas solteiras por mais tempo, tem-se menos filhos, e os consumidores são mais cosmopolitas, sofisticados e emocionais?.De acordo com a consultora de moda brasileira, Glória Kalil, ?o consumo de artigos de luxo pela altas camadas da sociedade eleva o bom gosto das mais baixas, que seriam alavancadas pelo estímulo desta elite que, de certa forma, exerce liderança social?. Em 2003, as vendas da Cartier cresceram 40%, as da Mont Blanc, 32%. Aliás, São Paulo abriga quatro lojas da marca, sendo a cidade com maior número delas no mundo. Segundo a empresa, uma quinta será montada com investimentos de US$ 1,5 milhão.A Louis Vuitton faturou mundialmente US$ 4 bilhões. Seu controlador, o maior grupo internacional de produtos de luxo, a LVMH, que também controla a Moët Chandon, Guerlain, Givanchy, Lacroix e Tag Heuer, vem crescendo desde 1989. Apenas em 1999, começou a disputar o mercado com o Grupo Pinault Printemps Le Redoute (PPR), detentor da Gucci, que mais tarde, em 2000, também adquiriu a Yves Sain-Laurent Rive Gauche. A Companhia Financière Richemont, dona das marcas Cartier, Van Cleef & Arpels, Piaget, Jaeger-LeCoultre, IWC, Vacheron Constantin, Baume & Mercier, A. Lange & Söhne, Officine Panerai, Dunhill, Lancel e Montblanc, se une a esses dois grupos neste cenário e, juntos, faturam mais de US$ 10 bilhões anuais.O primeiro MBA brasileiro do luxo - Outro referencial do crescimento da indústria do luxo, está no desenvolvimento dos profissionais do setor. A Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) de São Paulo, que tem se destacado pela criatividade de seus cursos, tomou mais uma vez a dianteira do processo e criou Master Business Administration (MBA) de gestão do luxo.Com investimentos de R$ 1.800,00 mensais, 25 alunos, selecionados entre 265 inscritos, durante dois anos, assistirão todos os sábados às aulas no hotel Sofitel, com especialistas do luxo, como o próprio mentor do MBA, o empresário Carlos Ferreirinha, ex-diretor-geral da Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH), atual diretor de vendas da Abit, que está trazendo a marca britânica Burberry para o Brasil. De acordo com Silvio Passarelli, diretor da faculdade Faap de Artes Plásticas, para ingressar no curso os candidatos devem ter formação universitária, fluência em inglês e francês, e o mínimo de seis anos de experiência profissional em cargos de comando.Entre os 25 novos alunos, estão o empresário Roberto Stern, presidente da joalheria H. Stern e Cristiana Tammer, gerente de importados da boutique Daslu. O corpo acadêmico reúne donos e executivos de empresas, e consultores de moda, como Glória Kalil e Costanza Pascolatto. O MBA de luxo da Faap é o primeiro curso com este perfil realizado nas Américas e igual a ele só há um outro em Paris, ministrado pela Essec.

Agencia Estado,

01 de junho de 2004 | 19h11

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