Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Constelação teórica da mostra em cinco livros

São lançadas edições inéditas de textos antigos e modernos

CAMILA MOLINA - O Estado de S.Paulo,

21 de setembro de 2012 | 03h09

Uma "constelação teórica" formada por cinco livros que serviram de base para o projeto curatorial da 30.ª Bienal de São Paulo - A Iminência das Poéticas, em cartaz até 9 de dezembro, será lançada amanhã para que o público possa também se deleitar com textos nunca antes editados em português. Por meio de uma parceria entre a Fundação Bienal de São Paulo e a editora Hedra, os títulos Amores e Outras Imagens, de Filóstrato, o Velho; Os Vínculos, de Giordano Bruno; Ninfas, de Giorgio Agamben; Marco Cornélio Frontão - Primeiro Tratado da Retórica Especulativa, de Pascal Quignard; A Decadência do Analfabetismo e A Arte de Birlibirloque, de José Bergamín, ganharam edição em pequeno formato (12,5 cm x 17,5 cm) para constituir a Coleção Bienal, que complementa o catálogo da edição do evento.

São textos antigos e modernos, que, como diz o curador-geral da 30.ª Bienal, Luis Pérez-Oramas, colocam questões de linguagem emaranhadas de uma maneira natural no "metabolismo" do pensamento contemporâneo. "Engraçado como um texto de Filóstrato, fundador da prática do gênero da descrição da imagem, ou de Giordano Bruno, quase como um poema, têm efeito mesmo que não lidos", diz Oramas.

Amores e Outras Imagens (76 págs., R$ 20), traduzido do original em grego Eikones por Rosangela S. de Souza Amato, foi uma das raízes para a elaboração do projeto educativo da 30.ª Bienal coordenado por Stela Barbieri. "A publicação do livro do autor da segunda sofística, com suas 65 imagens descritas, impunha-se a nós por si mesma", afirma Oramas na apresentação da edição. O curador conta que o educativo era até mesmo apelidado pela equipe do evento como "projeto Filóstrato". "Aos que desejam saber com mais precisão a origem da arte, a mimese é a invenção mais antiga e mais afim à natureza. Homens sábios inventaram-na, chamando-a ora pintura, ora arte plástica", afirma o autor da antiguidade já no início da obra.

Os Vínculos (92 págs., R$ 25), do filósofo e teólogo Giordano Bruno (1548-1600), foi traduzido por Elaine Sartorelli e tem em seu próprio título a referência a uma das características principais da 30.ª Bienal, a de ser uma mostra "constelar" que se vai fazendo no pavilhão pela relação dos conjuntos de obras de um artista com a de outro artista, da "possibilidade para a analogia - que não se refere somente à semelhança, mas sobretudo à diferenciação", afirma o curador - uma exposição como uma "melodia mais contínua", Oramas ainda define.

Os outros três textos da Coleção Bienal, Ninfas (78 págs., R$ 25, tradução de Renato Ambrosio); Marco Cornélio Frontão - Primeiro Tratado da Retórica Especulativa (78 págs., R$ 20, tradução de Paulo Neves); e A Arte de Birlibirloque e A Decadência do Analfabetismo (92 págs., R$ R$ 25, tradução de Gênese de Andrade), são modernos. "É uma coleção absurda, mas coerente", diz Oramas. A intenção da Fundação Bienal de São Paulo é dar continuidade a esse programa de edições de livros. Além dessas publicações, as reflexões em torno da 30.ª Bienal ainda vão se estender com a realização de um seminário internacional, entre 6 e 8 de novembro, no Sesc Belenzinho.

30ª BIENAL DE SÃO PAULO

Pavilhão da Bienal. Pq. do Ibirapuera. 9 h/19 h (4ª e 6ª, 9 h/22 h; fecha 2ª).

Grátis. Até 9/12. Lançamento da coleção, amanhã, 12 h.

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