Constelação do jazz chega em maio ao Brasil

Que nome se dá à reunião de uma constelação de jazzistas fantásticos, no palco para um show fora de série?

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

Podem chamar de superbanda, de banda all stars, de globetrotters, mas a verdade é que o nome mais apropriado é "sorte". Da plateia.

Público aventurado que poderá ver, no dia 21 de maio, como uma das grandes atrações da terceira edição do Bridgestone Music Festival, no Citibank Hall, em São Paulo, o Overtone Quartet, que aglutina quatro dos mais fantásticos instrumentistas do jazz da atualidade (os ingressos começam a ser vendidos no próximo dia 21, pela Ticketmaster).

The Overtone Quartet é mais um fantástico ensemble que sai da cabeça do baixista Dave Holland, que passou dois anos e meio no quinteto de Miles Davis (para o qual entrou com 21 anos) e ajudou a projetar aquilo que ficaria conhecido como "fusion". Holland conseguiu alistar em seu quarteto um dos mais impressionantes nomes do piano atual, Jason Moran, que toca até Afrika Bambaataa em pique jazzístico; o baterista Eric Harland (que acompanhou a diva Betty Carter até a morte dela, em 1998); e o saxofonista Chris Potter, que já foi sideman de Paul Motion, John Patitucci e a Mingus Band.

Tirando a passagem por aqui, no ano passado, no mesmo Bridgestone Festival, da superbanda Kind of Blue (que celebrava os 50 anos do mítico disco de Miles Davis), há mais de década não se reunia um time tão prestigioso de músicos numa única noite.

Mas o Bridgestone Music Festival, que anunciou ontem suas atrações, tem mais no cardápio. Aos 80 anos, o pianista Ahmad Jamal volta ao País após quatro anos. Nascido Frederick Russell Jones, adotou o nome Ahmad Jamal ao se converter ao islamismo, em 1952. Sua composição Pavanne é base do clássico So What, de Miles Davis, que imitava seus arranjos e repertório. O piano, por sinal, é o instrumento melhor representado nessa edição: também toca na jornada o norte-americano Uri Caine (que faz a cama para uma cantora extraordinária, Barbara Walker, debutando em terras brasileiras).

Outras duas cantoras prometem balançar as referências de quem gosta da arte da interpretação: Melissa Walker (que não é parente de Barbara) se apresenta com o baixista Christian McBride, e DK Dyson mostra como se deu a evolução do gospel no mundo ao lado de Don Byron, o primeiro instrumentista a renovar a linguagem da clarineta desde a Era do Swing.

Outro show que deve causar espécie é o do baterista argentino Daniel "Pipi" Piazzolla, filho de Daniel Piazzolla e neto de Astor Pantaleón Piazzolla, o Rei do Bandoneón, maior ídolo da música popular argentina ao lado de Carlos Gardel. Pipi Piazzolla vai apresentar os tangos imortalizados pelo avô ao lado do sexteto Escalandrum, também num show especialmente montado para o festival (o grupo já esteve em Joinville, há dois anos). Piazzolla morreu em 1992. Toy Lima, organizador do festival, aposta ainda numa outra surpresa: Christian Scott, eleito "melhor trompetista em ascensão" pelos críticos da revista Down Beat no ano passado.

OLHO NELAS

Melissa Walker

A cantora de Washington já se apresentou com a Lincoln Center Jazz Orchestra de Wynton Marsalis

DK Dyson

A acompanhante de Don Byron transita por jazz, R&B, pop, rock e world music. E se diz influenciada pela música da Bahia

Serviço

BRIDGESTONE MUSIC FESTIVAL. CITIBANK HALL. ALAMEDA DOS JAMARIS, 213. INFORMAÇÕES E INGRESSOS: 2846-6000. DE 10 A 22/5. R$ 50/ R$ 120

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