Conselho da Fundação Bienal exclui Edemar Cid Ferreira

O Conselho Deliberativo da Fundação Bienal de São Paulo decidiu, na noite de terça-feira, em reunião no Parque do Ibirapuera, excluir de sua composição o ex-banqueiro e ex-mecenas Edemar Cid Ferreira, preso desde 26 de maio acusado de gestão fraudulenta e formação de quadrilha no Banco Santos, do qual era controlador.Em um mês, os conselheiros mudaram radicalmente de posição: no dia 20 de maio, com 25 votos favoráveis e apenas 5 contra, eles decidiram manter Edemar no Conselho da Bienal, apesar de o banqueiro estar atualmente preso na Penitenciária 2 de Tremembé, no interior de São Paulo. Na terça-feira, mais de 30 conselheiros votaram, e houve apenas um voto favorável à permanência do banqueiro, o do editor Pedro Paulo Senna Madureira. Houve também duas abstenções, dos conselheiros Julio Landmann e Arnold Wald Filho. O conselheiro Adolfo Lerner pediu que os votos favoráveis e contrários a Edemar fossem listados na ata.O argumento principal foi que a presença de Edemar na lista de conselheiros causava ?desconforto? à instituição. O termo foi utilizado pelo próprio presidente da instituição, Manoel Pires da Costa.Senna Madureira fez um voto qualificado (com argumentação, que consta das atas bienal), dizendo que não poderia votar pela exclusão do ex-banqueiro por diversos motivos: o fato de Edemar ainda não ter sido julgado, e de alegar inocência; a relação pessoal de amizade entre os dois; e a colaboração com o ex-mecenas durante 12 anos na realização de mostras e eventos artísticos pelo País, nas quais Edemar teria mostrado um comportamento correto.O imbróglio em torno da permanência do ex-banqueiro na instituição teve reflexos na programação da 27.ª Bienal de São Paulo, que começa no dia 7 de outubro. No dia 4, o artista plástico Cildo Meirelles decidiu desligar-se da mostra por não concordar com a recondução de Edemar.Após saber da exclusão de Ferreira, Cildo Meireles afirmou que vai repensar sua participação na mostra. ?Essa mudança de posição, do conselho, considero, no mínimo, um ato de lucidez?, disse o artista. Segundo Cildo, a presença de Ferreira no conselho denotava ?a opção por um moldelo de gestão cultural indesejável?, da qual ele não queria fazer parte - mas o artista sempre frisa que sua desistência nunca esteve relacionada com o projeto curatorial da 27ª Bienal de São Paulo.?Não retirei o espaço do Cildo na planta da mostra. Acredito que agora, como o estado das coisas mudou, não há por que ele continuar afirmando que não vai participar da Bienal?, disse na terça a curadora da mostra, Lisette Lagnado.

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