Conselho com Deborah Colker é criticado

Nomeação de coreógrafa, que mora no Rio, para órgão municipal é questionada e deve resultar em manifestação

Helena Katz, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2013 | 02h15

Surpreendida pela nomeação de Deborah Colker, que mora e trabalha no Rio de Janeiro, para fazer parte do Conselho da Cidade de São Paulo, a classe da dança convocou uma reunião para amanhã, no Espaço Kasulo, que será antecedida por um encontro preparatório hoje, no Espaço Viver. Inconformados, bailarinos, coreógrafos, estudantes, produtores, diretores, professores, programadores e curadores da área pretendem organizar uma manifestação.

Em e-mail ao Estado, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura afirmou: "O Conselho da Cidade é um organismo de caráter consultivo, formado por representantes dos movimentos sociais, entidades de classe, empresários, cientistas e pesquisadores, artistas e lideranças religiosas. Nenhum de seus membros recebe remuneração ou ajuda de custo por sua participação. Sua ampla representatividade denota o caráter cosmopolita e plural da cidade de São Paulo. A escolha dos seus mais de 130 integrantes se deu por suas colaborações nos mais variados setores".

Três das mais importantes instituições representativas da dança na cidade, procuradas pelo Estado, manifestaram espanto com a ação da Prefeitura. Para Marcos Moraes, do movimento A Dança se Move, trata-se de uma "barbeiragem política": "Não por Déborah, uma profissional renomada, mas por demonstrar o enorme desconhecimento sobre a cultura da cidade que eles deveriam administrar. É como se não existíssemos".

Moraes faz referência às reivindicações já encaminhadas pelo A Dança se Move para a Secretaria Municipal de Cultura: "O secretário assumiu em 1.º de janeiro e, no dia 2, recebeu uma carta dos movimentos da dança de São Paulo. Fomos recebidos no dia 16 de janeiro e apresentamos várias demandas".

Entre as reivindicações, relata, estavam melhorias na Galeria Olido, que não tem Wi-Fi, capacidade elétrica e de equipamentos para que as salas de ensaio e multiuso sejam utilizadas para mostras e espetáculos, nem equipe adequada para a especificidade das atividades que lá ocorrem; mudanças na Lei de Fomento; a criação de três novos programas; busca de pautas em teatros e espaços municipais. "Nada, até agora, foi encaminhado, mesmo após uma reunião promissora que tivemos com a equipe do Fomento."

Sofia Cavalcante, do grupo que coordena o Mobilização Dança, diz-se espantada com a escolha de uma artista que desconhece a produção de dança da cidade e suas demandas. "Temos aqui uma classe mobilizada, competente, com uma produção diversificada. Causa enorme surpresa o desprezo pelos artistas de São Paulo, que há mais de dez anos vêm trabalhando junto aos poderes legislativo e executivo para a implantação de uma política pública de cultura de qualidade. O ponto máximo desta luta foi a criação da Lei de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo, e a inclusão da dança em vários projetos da prefeitura como o Dança Vocacional e a Galeria Olido."

Sandro Borelli, presidente da Cooperativa Paulista de Dança, declarou-se indignado com o que define como falta de respeito. "Não consigo nem identificar se isso se deu por ignorância ou descaso. Nem sei se a dança de São Paulo deve reivindicar alguma forma de participação neste Conselho, pois ficou claro que não temos nenhuma relevância para esta gestão, e talvez não seja o caso de forçar a entrada onde não nos querem ouvir".

Procurada pelo Estado, Déborah Colker declarou: "É bacana um conselho que junta pessoas que estão trabalhando pelo País, uma junção de intelectuais, artistas e estudantes numa cidade da importância de São Paulo, ajudando de forma espontânea e gratuita a pensar num desenvolvimento mais humano para a cidade. Infelizmente, não pude participar das primeiras reuniões, pois minha Companhia de Dança está com um ano muito movimentado, mas acompanhei tudo pelas atas das reuniões".

No dia 26 de março, o prefeito Fernando Haddad instaurou o Conselho da Cidade, apresentando-o como um novo canal de comunicação entre a sua administração e a sociedade. O órgão vai se reunir quatro vezes por ano.

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