Conheça os dez personagens da peça ´Salmo 91´

Espetáculo escrito pelo editor do Caderno 2 estréia para convidados na sexta

Agencia Estado

06 de julho de 2007 | 16h17

Salmo 91, peça escrita por Dib Carneiro Neto, jornalista, dramaturgo e editor do Caderno 2, entra em cartaz, a partir de sábado, no Sesc Consolação.1. Dadá (Pascoal da Conceição)Sobrevivente do massacre, tudo viu e tudo sabe. É atormentado por sentimentos como culpa, arrependimento e revolta. No presídio, tem fama de "corpo fechado" e gosta de repetir que já matou "bem uma meia dúzia de três ou quatro". No auge do desespero, clama pela mãe religiosa. Na qualidade de narrador do massacre do Carandiru, o personagem abre e fecha o espetáculo. Contesta o número oficial de mortos (111) e garante que morreram mais de 250 no dia do massacre. 2. Nego-Preto (Rodrigo Fregnan)Por ter sido traído por um parceiro de assalto, vive obcecado pela idéia de lealdade. Conhece bem as regras de convivência no presídio e, por isso, é o personagem que mais descreve à platéia o "modo de vida" dentro do Carandiru. Tem medo de enlouquecer na prisão e se esforça por acreditar na eficácia do sistema penitenciário, pois acaba de saber que seu filho é o mais novo "hóspede" da cadeia. Disfarça sua profunda amargura com um tom de paizão orgulhoso e confiante no futuro encarcerado do filho. 3. Charuto (Pedro Moutinho)Traficante, cumprindo pena pela segunda vez, não vê a hora de sair do presídio para matar o amigo que se envolveu com sua nega Rosirene. Grandalhão, forte, bem dotado, é figura que se afirma pela exibição da masculinidade. Personagem que simboliza a libido reclusa e sufocada dentro da penitenciária. Adora ficar repetindo que é macho. Tem febrões noturnos por culpa de um dedo da mão inflamado pela mordida de um rato de esgoto em sua cela. 4. Zizi Marli (Ando Camargo)Homossexual fragilizado, medroso e submisso, que fala de seu mundinho na clausura como se contasse um capítulo de telenovela. Divide o beliche da cela com um travesti, Margô Sueli, que, por sua vez, tem um "marido de cadeia", o ladrão Santão. Zizi é a doméstica da cela, que cuida da cozinha, lava, passa e faz toda a arrumação. Adora os ‘barracos’ que as amigas-travestis aprontam no presídio, mas está sempre de fora de tudo, como um (tele) espectador passivo. 5. Bolacha (Rodolfo Vaz)Personagem que representa a "lei" dentro do presídio, o defensor dos códigos. É o "encarregado geral" de seu pavilhão, o que significa que tem poder decisório de juiz nas contendas entre os presidiários. É sempre consultado, por exemplo, nas questões de vingança entre eles e precisa ter a cabeça fria para autorizar ou não os "serviços". Passa as noites em claro, matutando, e vive repetindo o bordão "É sem chance!", retirado de outro personagem do livro de Drauzio Varella. 6. Véio Valdo (Pascoal da Conceição)Negro em torno dos 70 anos, é o personagem mais desencantado e descrente das boas intenções da clausura. Já passou pelos piores castigos e vive ‘anestesiado’, querendo fugir de todo e qualquer contato humano dentro da penitenciária. Não acredita na chamada "reeducação" dos presos. "O Carandiru não é nada, não!", costuma dizer. Para ele, ficar sozinho é a única saída, é a estratégia certa num lugar onde não se pode confiar nem na própria sombra. 7. Edelso (Ando Camargo) Com passado de falso médico e roubo de carro, atua como enfermeiro na prisão e tem orgulho de sua função no Carandiru. Tem tanta prática como auxiliar do médico da penitenciária que quer sair da prisão e tentar de novo se dar bem como ‘falso’ médico. Sonha em montar seu próprio consultório. De forma divertida, com pitadas de ingenuidade e otimismo, o personagem entretém a platéia com suas histórias ligadas a um setor importantíssimo dentro de um Complexo como o do Carandiru: o atendimento médico no ambulatório. 8. Zé da Casa Verde (Rodrigo Fregnan)Negro safo, de uma vitalidade a toda prova, é o personagem que representa justamente a pulsação vital que faz da penitenciária um microcosmo efervescente. É o oposto da apatia de Véio Valdo, já que, mesmo fechado na prisão, acredita em toda a energia que ainda tem para gastar.Tem duas mulheres, ama as duas e tem de dar conta das duas, inclusive nos "dias de visita" em que ambas aparecem no Carandiru. Em seu sonho de macho ativo e provedor, um dia sai da cadeia, junta as duas famílias num só teto e as sustenta com um esquema bem organizado de assaltos. 9. Veronique (Rodolfo Vaz)É um travesti extrovertido, mas ao mesmo tempo muito amargo, sobretudo por ter consciência de sua decadência física. Enxertos de silicone de quinta categoria causaram inflamações sérias em seu corpo e dores insuportáveis. Simboliza o jogo de poder dentro da cadeia, na medida em que faz chantagem com os presidiários a quem "serve" com seus préstimos sexuais. "Se eu abro o bico, ó, reputação de malandro vai tudo pro esgoto", diz. Tem seqüelas de rejeição que vêm da infância, na relação com o irmão que o desprezava. Fica repetindo para si que é "muita amada" e "muito querida", mas sabe que não sobrevive sem suas chantagens. 10. Valente (Pedro Moutinho)Personagem que é síntese e retrato de todos aqueles presidiários que, dentro da cadeia, buscaram na religião exacerbada a solução para seus tormentos, medos e culpas. "Sinto Deus operando na minha existência", diz ele, que anda munido de uma Bíblia. Sempre matou sem dó a todos os que reagiam a seus assaltos e sua pena total é de 130 anos. Desde criança, morre de medo de tudo e disfarça essa fraqueza no próprio apelido que adotou (Valente).

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