Congresso reúne Camilo Cela e Vargas Llosa

O prêmio Nobel de Literatura espanhol Camilo José Cela, o escritor peruano Mario Vargas Llosa e o historiador mexicano León Portillo defenderam esta terça-feira a existência das diferentes línguas como uma "fonte de criatividade".Em seu discurso inaugural do 2.º Congresso Internacional da Língua Espanhola, Cela incentivou a defesa do castelhano dentro e fora das fronteiras do mundo hispânico."É doloroso que sendo a nossa uma das línguas mais charmosas, poderosas e eficazes do mundo, ninguém até hoje se preocupou em ensiná-la fora das fronteiras e defendê-la aqui dentro, onde tampouco é entendida como deveria".Cela, que se confessou amante da "língua, das línguas e de todas as línguas, especialmente das espanholas, como o espanhol, o catalão, o galego e o vasco", sublinhou a importância da defesa da liberdade no uso do idioma.Vargas Llosa - O escritor peruano defendeu a idéia da extensão pacífica e construtiva do espanhol por meio da história do Inca Garcilaso de la Veja, que, filho de um conquistador espanhol e de uma princesa inca, foi o primeiro a reivindicar sua condição de índio e espanhol". Independente disso, ele fez sua a língua do conquistador, mostrando o caminho de uma integração possível dos dois mundos, afirmou o escritor.Para Vargas Llosa, "centenas de milhares de seres humanos formam parte de um tronco comum", uma vez que compartilham o idioma castelhano, segundo o romancista, autor de A Festa do Bode, seu lançamento mais recente.Portillo - O historiador falou do processo de expansão do espanhol na América Latina, onde o movimento não foi imposto, mas se estendeu, incorporando a seu acervo palavras originárias das "línguas ameríndias". León Portillo afirmou que "as línguas ameríndias acrescentaram o espanhol em seu léxico", o que levou à necessidade de um autêntico ensinamento bilíngüe. "A diferença cultural é fonte de criatividade", disse Portillo.

Agencia Estado,

16 de outubro de 2001 | 21h29

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