Confirmado: vai dar Brasil em 2013

Anúncio oficial foi feito ontem, na Alemanha; suspense é em relação à nação que estará em foco antes, em 2012

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2010 | 00h00

O Brasil é oficialmente, desde ontem pela manhã, o país convidado da Feira do Livro de Frankfurt de 2013. O acordo foi assinado pelo diretor do evento, Juergen Boss, pelo Ministério da Cultura brasileiro, representado pelo presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, José Almino de Alencar e Silva Neto, e pela presidente da Câmara Brasileira do Livro, Rosely Boschini.

Com isso, na edição daquele ano, o mercado editorial brasileiro terá à disposição um pavilhão especial, para o qual estão previstos encontros com escritores, editores e livreiros. A data também é estratégica, pois antecipa a Copa do Mundo (2014) e a Olimpíada do Rio (2016).

"Oficializado o convite, o MinC anunciou que vai formar, ainda este ano, a comissão encarregada da organização", disse Rosely. De fato, são muitos os detalhes a serem acertados - a feira faz uma série de exigências - e a intenção principal é evitar o vexame brasileiro de 1994 quando, também na condição de convidado oficial, constrangeu os próprios editores nacionais por espalhar mulatas que serviam caipirinha no estande oficial.

Para a presidente da CBL, o primeiro passo será incentivar um aumento na quantidade de traduções para o alemão de obras brasileiras. "Muitos escritores já são conhecidos, como João Ubaldo Ribeiro, mas é preciso apresentar as novas gerações", acredita Rosely. "Aos poucos, vamos ter eventos também em outras localidades de Frankfurt, preparando o terreno para 2013."

A condição de país convidado oferece uma visibilidade no mercado europeu que, se bem trabalhada, pode se tornar vantajosa. Na Alemanha, por exemplo, onde os livros mais traduzidos são da Polônia e da China, a venda de livros movimentou cerca de 1,18 bilhão no ano passado. "A Feira de Frankfurt pode representar o primeiro passo para muitos países aumentarem sua participação", comentou Dieter Schmidt, responsável pela presença no evento de países da América Latina.

Segundo ele, um país pode ser convidado ou mesmo se oferecer. Agora homenageada, a Argentina negociou quatro anos sua participação. "Tinha de ser em 2010 por conta dos 200 anos de independência argentina."

Participação. O compromisso, na verdade, não se reduz a estar na feira. O país convidado necessita, um ano antes de sua participação, ter uma presença forte de autores e editores. E, no ano seguinte à sua organização, retornar a Frankfurt para reforçar os contatos iniciados na temporada anterior. "Alguns países, como por exemplo a Turquia em 2008, foram muitos felizes nos resultados editoriais."

Em esquema semelhante ao da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional, o governo da nação convidada também deve arcar com encargos financeiros que, no caso, incluem a organização do pavilhão principal, além dos eventos paralelos. O custo, afirmou Schmidt, é variado. "Não temos acesso ao valor investido, pois se trata de investimento governamental, mas dizem que a Coreia do Sul, homenageada em 2005, gastou cerca de 15 milhões, bem mais do que a maioria."

Rosely também acredita que o valor está acima do habitual - o Brasil, para ela, deve gastar menos da metade. Schmidt confirmou que, no próximo ano, o convidado será a Islândia. E, em 2014, será a vez da Finlândia. E em 2012? "Será uma surpresa que divulgaremos após o encerramento desta edição", disse. "Ainda estamos em negociação." Especulações apontam um país do Oriente, como os Emirados Árabes, capazes de organizar em pouco tempo uma participação de grande porte.

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