Confira os textos adaptado e original de Fausto

Compare o texto adaptado por Christine Röhrig e a versão original do clássico "Fausto", de Goethe.ADAPTAÇÃO"Dr. Henrique Fausto está sentado em sua poltrona junto à escrivaninha, num quarto pequeno e abafado, entulhado de frascos por todos os lados e de livros corroídos por vermes, cobertos de pó. A parede é forrada, até o topo da cimeira, com papel embolorado. Fausto, sonolento e irrequieto, balbucia, suspira e resmunga: ?Ah, estudei até a exaustão a filosofia, a medicina, a jurisprudência e avidamente a teologia, tudo com a maior paciência. Mas eis-me aqui, pobre ignorante, não mais sabido do que antes. Sou professor, doutor até. Há dez anos fico atrás dos meus alunos, sem parar. Estudar, estudar e estudar! Mas vi que não é possível saber, e isso dilacera o meu coração. Não temo nem o inferno nem o Diabo. Porém, a alegria me foi roubada.?"Inconformado com sua impotência e desiludido com a vida que, apesar de todo o estudo, não lhe trouxe o conhecimento desejado, desabafa: ?A vida não me deu bens, muito menos dinheiro, nem honra, nem glória neste mundo.?"E segue reclamando, enquanto sua irritação só aumenta: ?Nem mesmo um cão viveria deste jeito! Por isso, entreguei-me à magia, para ver se consigo desvendar alguns mistérios.?"Num quarto gótico estreito, com abóbadas altas, Fausto irrequieto, sentado em sua poltrona junto à escrivaninha: ?Ah, estudei até a exaustão a filosofia, a medicina, a jurisprudência e avidamente a teologia, tudo com a maior paciência. Mas eis-me aqui, pobre ignorante, não mais sabido do que antes. Sou professor, doutor até. Há dez anos fico atrás dos meus alunos, sem parar. Estudar, estudar e estudar! Mas vi que não é possível saber, e isso dilacera o meu coração.Na verdade, sou mais inteligentes do que esses paspalhos - doutores, professores, escritores e padres. Não tenho escrúpulos, nem dúvidas me assolam, não temo nem o inferno, nem o diabo. Porém, a alegria me foi roubada. Não tenho mais a ilusão de saber, não tenho mais a ilusão de poder ensinar aos homens para melhorá-los ou convertê-los; também não tenho bens, muito menos dinheiro, nem honra, nem glória no mundo. Nem mesmo um cão viveria desse jeito! Por isso entreguei-me à magia, para ver se, por força do espírito e da palavra, consigo desvendar alguns mistérios. Para que eu não fale mais, com suor azedo, daquilo que não sei. Para que eu conheça o que o mundo esconde em seu âmago profundo?.ORIGINAL Num quarto gótico estreito, com abóbadas altas, Fausto irrequieto, sentado em sua poltrona junto à escrivaninha: ?Ah, estudei até a exaustão a filosofia, a medicina, a jurisprudência e avidamente a teologia, tudo com a maior paciência. Mas eis-me aqui, pobre ignorante, não mais sabido do que antes. Sou professor, doutor até. Há dez anos fico atrás dos meus alunos, sem parar. Estudar, estudar e estudar! Mas vi que não é possível saber, e isso dilacera o meu coração. Na verdade, sou mais inteligentes do que esses paspalhos - doutores, professores, escritores e padres. Não tenho escrúpulos, nem dúvidas me assolam, não temo nem o inferno, nem o diabo. Porém, a alegria me foi roubada. Não tenho mais a ilusão de saber, não tenho mais a ilusão de poder ensinar aos homens para melhorá-los ou convertê-los; também não tenho bens, muito menos dinheiro, nem honra, nem glória no mundo. Nem mesmo um cão viveria desse jeito! Por isso entreguei-me à magia, para ver se, por força do espírito e da palavra, consigo desvendar alguns mistérios. Para que eu não fale mais, com suor azedo, daquilo que não sei. Para que eu conheça o que o mundo esconde em seu âmago profundo?.

Agencia Estado,

28 de agosto de 2006 | 20h26

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.