Confira a lista de mesas literárias da Flip 2009

Festa da literatura começa com programa nobre: uma palestra de Davi Arrigucci Jr. sobre Manuel Bandeira

da redação, estadao.com.br

14 de maio de 2009 | 15h02

Veja a lista das mesas literárias programadas para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre quarta e domingo e vai reunir 34 autores de obras literárias, livros de história, histórias em quadrinhos, num encontro cultural que já chega à sua 7.ª edição.

 

Mesas Literárias

 

1 QUARTA

19h - Conferência de abertura - Davi Arrigucci Jr.

Poucos estudiosos da literatura no Brasil escreveram sobre Manuel Bandeira com o brilho de Davi Arrigucci Jr. Capaz de aliar a leitura cerrada dos versos do poeta aos movimentos mais amplos do modernismo no país, Arrigucci Jr. é autor de ensaios incontornáveis sobre Bandeira, tais como Humildade, paixão e morte ou A beleza humilde e áspera. É o procedimento de leitura desses textos clássicos que serve de base para a conferência de abertura que o crítico e escritor faz em Paraty.

 

2 QUINTA

10h - Mesa 1 - Novos traços

Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Grampá

Raras vezes a produção de quadrinhos foi tão intensa no Brasil. Na trilha aberta por pioneiros como Larte e Angeli, esses jovens artistas têm flertado com a literatura e levado os quadrinhos brasileiros a um novo patamar de complexidade - alguns já venceram os prêmios mais prestigiosos da categoria, tanto no Brasil como no exterior. A primeira mesa da FLIP pretende ser um retrato desse ótimo momento e apresentar para o grande público os nomes-chave dessa geração.

 

11h45 - Mesa 2 - Separações

Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira

Outra vida, livro mais recente do escritor carioca Rodrigo Lacerda, examina a fundo um relacionamento amoroso em crise. Nesta mesa em Paraty, Rodrigo conversa com um dos artistas que exploraram com mais interesse o assunto no Brasil: o dramaturgo e cineasta Domingos de Oliveira, diretor de Todas as mulheres do mundo e Separações, entre outros filmes.

 

15h - Mesa 3 - Verdades inventadas

Tatiana Salem Levy, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues

Em Elza, a garota, de Sérgio Rodrigues, a história da jovem morta pelo partido comunista serve de guia para um experimento ficcional ousado e bem urdido. Em Os irmãos Karamabloch, Arnaldo Bloch vale-se da história de sua família, fundadora da Rede Manchete, para compor um livro em que convivem traços de biografia, romance e memorialismo. Os três elementos também se fazem presentes em A chave de casa, premiado livro de estreia da carioca Tatiana Salem Levy.

 

17h - Mesa 4 - China no divã

Ma Jian e Xinran

Ma Jian, em Pequim em coma, remexeu em uma ferida delicada da história recente da China: o massacre da Praça da Paz Celestial, que completa vinte anos em 2009. Já a jornalista Xinran foi buscar cicatrizes mais antigas: seu livro mais recente, Testemunhas da China, traz relatos de sobreviventes da revolução cultural liderada por Mao Tse-tung, que matou em torno de um milhão de pessoas entre 1966 e 1976. Num caso como noutro, estão expostos os pontos cegos da nação que deve liderar a economia do século XXI.

 

19h - Mesa 5 - Deus, um delírio

Richard Dawkins, em conversa com Silio Boccanera

Nem precisaria ser no ano em que se completam duzentos anos do nascimento de Charles Darwin e 150 da publicação de seu livro mais importante, A origem das espécies. Mas a efeméride acrescenta um toque a mais à presença em Paraty de um dos darwinistas mais influentes em atividade no mundo, autor de O gene egoísta e Deus, um delírio.

 

3 SEXTA

10h - Mesa 6 - Evocação de um poeta

Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas

O maior indício da perenidade de um autor é sua influência sobre as gerações seguintes. Nesse quesito, poucos podem rivalizar com Manuel Bandeira, referência inescapável desde as primeiras manifestações do modernismo no Brasil. Nesta mesa, três nomes de destaque da nova poesia brasileira discutem a atualidade do poeta.

 

11h45 - Mesa 7 - A névoa da guerra

Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho

O afegão naturalizado francês Atiq Rahimi ganhou o prêmio Goncourt pelo romance Syngué sabour (2008), centrado na história de uma mulher e do marido agonizante em meio ao conflito civil no Afeganistão. O filho da mãe (2009), de Bernardo Carvalho, também enquadra a violência da guerra por lentes sutis - o sofrimento das mães para saber sobre os filhos enviados para regiões de conflito. Esse é apenas um dos diversos pontos de partida para o debate entre os autores em Paraty.

 

15h - Mesa 8 - Sentidos da transgressão

Edna O'Brien em conversa com Liz Calder

No início dos anos 1960, a irlandesa Edna O'Brien teve exemplares de seu livro Country girls queimados pela comunidade religiosa local, incapaz de aceitar que a vida sexual das personagens fosse descrita com tanta crueza. Em 2001, a crítica de arte francesa Catherine Millet fez de sua própria vida sexual movimentada o tema de um livro - e sacudiu as hostes conservadoras na Europa e nos Estados Unidos. Nesta mesa, elas conversam sobre as transgressões possíveis no século XXI.

 

17h - Mesa 9 - O eu profundo e outros eus

Mario Bellatin e Cristovão Tezza

Professor de uma escola de escritores no México, Mario Bellatin admite tudo - menos que o candidato a ficcionista inspire-se na própria vida para criar sua história. Um dos mais premiados autores brasileiros dos últimos anos, Cristovão Tezza fez exatamente isso em O filho eterno, e ninguém ousará dizer que não foi bem-sucedido. Qual, enfim, o papel da experiência pessoal na literatura? Eis o mote para a discussão entre os dois autores.

 

19h - Mesa 10 - Sequências brasileiras

Chico Buarque e Milton Hatoum

Em Leite derramado, Chico Buarque criou um narrador que personifica a desfaçatez da classe dominante brasileira. Em suas reminiscências delirantes, ecoam lembranças de família e uma visão ácida sobre a formação do país. Na obra de Milton Hatoum, reminiscência e memória familiar são igualmente uma pedra angular - mas que enquadram o país sob as lentes da presença árabe na Amazônia. O Brasil na visão desses dois grandes prosadores é o tema da mesa que eles compartilham em Paraty.

 

4 SÁBADO

10h - Mesa 11 - O dissonante século XX

Alex Ross em conversa com Artur Dapiève

Crítico de música erudita da revista New Yorker, Alex Ross fala sobre O resto é ruído (2007), recém-lançado no Brasil. O livro foi um dos maiores acontecimentos da crítica musical dos últimos anos nos Estados Unidos. Com raro fôlego, tino literário e consciência histórica apurada, Ross mescla a análise formal das obras dos principais compositores eruditos do século XX aos momentos políticos decisivos do período.

 

11h45 - Mesa 12 - Entre quatro paredes

Sophie Calle e Grégoire Bouillier

Em Prenez soin de vous, exposição que representou a França na Bienal de Veneza de 2007 e que acontece em São Paulo em julho, Sophie Calle exibe a reação de 107 mulheres à carta de rompimento recebida de um ex-namorado. O escritor francês Grégoire Bouillier, autor de L'invité mystére, é o ex-namorado em questão. Pela primeira vez eles aparecem em público para discutir o episódio e embaçar ainda mais as fronteiras entre vida privada e vida pública, entre vivência pessoal e ficção.

 

15h - Mesa 13 - Segredos de família

Anne Enright e James Salter

Não faltam afinidades entre a obra da irlandesa Anne Enright e do americano James Salter. Além da maestria no formato da narrativa curta, ambos têm na família fraturada um universo temático recorrente. Enright fez desse tema o ponto de partida de O encontro, romance vencedor do Booker Prize de 2007. Já os contos de Salter, inseridos na tradição do realismo americano, debruçam-se sobre as classes médias urbanas: de modo contido e perturbador, revelam o fundo falso por trás dos sentimentos "humanistas" da família burguesa contemporânea.

 

17h - Mesa 14 - Fama e anonimato

Gay Talese em conversa com Mario Sergio Conti

Gay Talese é um dos inventores do jornalismo contemporâneo - e ao mesmo tempo a encarnação dos dilemas da profissão. O autor responde por alguns dos textos mais precisos e bem costurados já feitos por um repórter, caso de "Frank Sinatra está resfriado", de 1966. Em tempos de crise do jornalismo impresso, Talese representa um modelo de jornalista tão necessário quanto inatingível. Essa tensão entre o jornalismo de excelência que ele ajudou a criar e o jornalismo possível no século XXI é o centro de sua conversa com o jornalista brasileiro Mario Sergio Conti.

 

19h - Mesa 15 - Escrever é preciso

António Lobo Antunes em conversa com Humberto Werneck

O português António Lobo Antunes é autor de mais de vinte romances, que em conjunto o situam entre os maiores estilistas da língua. Apesar do idioma comum a Portugal e Brasil, o autor não vem ao país desde 1983 e já declarou que não incluía o Brasil entre suas prioridades - preferia deixá-lo para o antípoda José Saramago. Este evento em Paraty vem corrigir a lacuna. Polemista contumaz e avesso a aparições públicas, Lobo Antunes conversa sobre essa e outras dimensões de sua trajetória.

 

5 DOMINGO

11h30 - Mesa 16 - As sem-razões do amor

Catherine Millet em conversa com Maria Rita Kehl

Em 2001, a crítica de arte francesa Catherine Millet fez de sua vida sexual movimentada o tema de um livro que sacudiu as hostes conservadoras na Europa e nos Etados Unidos. Em 2008, publicou um livro que é o reverso do primeiro: um relato de como foi dominada pelo ciúme ao saber das aventuras sexuais do marido. Nessa mesa em Paraty, ela discute sua trajetória literária incomum com a psicanalista Maria Rita Kehl.

14h30 - Mesa 17 - O futuro da América

Simon Schama em conversa com Lilia Moritz Schwarcz

O futuro da América, livro mais recente do historiador inglês Simon Schama, revê a história dos Estados Unidos a partir dos temas da guerra, da religião, da imigração e da fartura. Os protagonistas são personagens comuns que atravessam momentos-chave da história do país - atores da "história narrativa" de que Schama é um dos mais notórios praticantes no mundo. Sobre esse trabalho, Schama conversa com a historiadora e antropóloga brasileira Lilia Schwarcz - um dos nomes fortes dessa corrente historiográfica no Brasil.

 

15h - Mesa 17 - Antologia pessoal

Edson Nery da Fonseca e Zuenir Ventura

A memória afetiva é o mote desta mesa que encerra a homenagem a Manuel Bandeira. Amigo e correspondente do poeta, o professor Edson Nery da Fonseca relembra os anos de convivência no Rio e em Pernambuco. Ex-aluno de Bandeira, Zuenir remonta aos tempos de aprendizado com o mestre. Na mediação, o jornalista Humberto Werneck, biógrafo de Jaime Ovalle e bandeiriano de primeira linha.

 

17h - Mesa 18 - Livro de cabeceira

Convidados da FLIP leem trechos de seus livros prediletos.

Tudo o que sabemos sobre:
Flip 2009

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.