Confecções investem na moda por um mundo melhor

Ser politicamente correto nunca esteve tão em voga. Andar com mensagens de otimismo e de preservação do meio ambiente estampadas no peito é uma atitude que pega bem. Grandes confecções aproveitam o embalo e desenvolvem peças para passar mensagens de paz, amor e de esperança de um mundo melhor. Não estamos falando de uma lojinha curiosa, como a da moda militar, mas de grandes etiquetas, que estão nas principais capitais do País. É o caso da Canal, confecção de roupa jovem, que fez uma linha especial de verão com 5 modelos de camisetas politicamente corretos. Entre as frases nelas estampadas, ?Só uma espécie pode salvar o planeta? e ?Amar é grátis.? Ao contrário do que possa parecer, não se trata de uma moda panfletária e oportunista. As mensagens fazem parte neste caso de um real engajamento da empresa. ?Não trabalhamos com fornecedores que poluem o meio ambiente?, diz o proprietário da Canal, Luiz Vaiano, de 46 anos, que se filiou ao Greenpeace, ONG internacional de preservação do meio ambiente. ?Este é meu papel de cidadão. O homem tem uma vida longa e corre o risco de sofrer com a falta de água no futuro?, diz Vaiano. Pai de três filhos adolescentes, o empresário tenta associar cada vez mais o nome da marca com a questão ambiental. Uma das peças de campanha publicitária da Canal é a foto de uma cidade destruída acompanhada da seguinte mensagem: ?Ainda não é tarde.? Às vezes, dizeres desse tipo chegam às mãos dos consumidores de forma singela e inesperada. Por exemplo, quem compra uma roupa da Side Walk apenas porque queira contribuir com a melhora do próprio guarda-roupa e não exatamente do planeta, ao chegar em casa, percebe que levou com a roupa um saquinho de aproximadamente 7 centímetros. Dentro dele, há uma mensagem do bem, muito parecida com aquelas do biscoito da sorte, que se repete em vários produtos. Em alguns artigos da linha muda o veículo da mensagem. No lugar do saquinho vem um tag (uma enorme etiqueta de papel). Conhecida por privilegiar o conforto, a Side Walk reproduz na linha imagens zens como a do Buda, da borboleta, símbolo de renovação, e do pássaro fênix que, segundo a mitologia egípcia, entra em combustão na hora de morrer e renasce das cinzas. ?Mais do que agregar valor à mercadoria, a mensagem leva aos clientes a filosofia da empresa?, diz Luis Gelpi, um dos sócios-fundadores da Side Walk. ?A moda tem um alcance limitado, mas dita tendência?, diz Alex Von Schonburg, um dos sócios da AG407, agência de publicidade que, entre outros trabalhos desenvolveu a campanha da última edição do São Paulo Fashion Week. O tema era sustentabilidade. Durante a semana de moda, o conceito estava presente em exposições de fotos e até mesmo na decoração do evento, que usou muito material reciclável. Foi o caso dos bancos da platéia, por exemplo, que em algumas das salas onde aconteciam os desfiles eram feitos de papel reciclável. Pensando em sustentabilidade, a etiqueta Alcazuz, que não se apresentou no Fashion Week, desenvolveu no último ano uma fibra tirada do bambu. Com ela conseguiu fabricar uma malha macia e fininha, parecida com a viscolycra muito em moda atualmente. ?Cuidar do meio ambiente e da qualidade de vida é uma tendência internacional?, diz o publicitário, que em sua agência colocou armários produzidos com caixotes de frutas. ?Não dá para ficar de fora.?

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