Hick Duarte/Divulgação
Hick Duarte/Divulgação

Conexões mineiras em grandes encontros

Evento em Belo Horizonte mistura tendências e gerações com convidados

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

Uma das bandas mais assíduas em festivais independentes, a mineira Porcas Borboletas, de Uberlândia, é também uma das mais interessantes no cenário do pop-rock "fora do eixo" atual. Hoje, no Parque Municipal de Belo Horizonte, o grupo é uma das principais atrações da fase final desta edição do festival Conexão Vivo, um dos canais mais ativos no cenário da música independente brasileira. Porcas Borboletas recebe como convidado Paulo Miklos, dos Titãs, uma de suas influências, um dos muitos encontros do evento (leia ao lado).

"Os festivais foram fundamentais pra gente partir pro Brasil inteiro. Começamos no final dos anos 1990, quando eles não rolavam como agora. Até 2005 fomos uma banda local, com algumas saídas dentro de eventos universitários, que não chegavam a constituir um mercado de música", lembra o vocalista Enzo Banzo. "O Conexão Vivo faz parte dessa história. Em 2005 (quando estávamos lançando nosso primeiro disco) o projeto passou por Uberlândia, e nos inscrevemos para um processo de seleção. Fomos os selecionados aqui de Uberlândia, e isso nos levou pra tocar pela primeira vez no Conexão BH."

A partir de 2006, a banda entrou na rede de artistas do Conexão Vivo, que viabilizou a produção de seu segundo álbum, além de turnês em Minas e fora do Estado, "sempre trocando figurinhas com artistas convidados" que são referências para eles.

Recentemente, a banda surpreendeu o público paulistano com um ótimo show no lançamento da Caixa Preta de Itamar Assumpção, tocando na íntegra o álbum Às Próprias Custas S/A. Eles também já tocaram com Paulo Barnabé (Patife Band) e tiveram Arrigo Barnabé como convidado no segundo CD, A Passeio. "A gente gosta desses artistas principalmente em função da inventividade de seus trabalhos. Muito antes de imaginar qualquer tipo de aproximação, todo mundo da banda era muito ligado na música deles. Aquela coisa de procurar disco raro, se deslumbrar com um novo álbum ou canção descoberta", conta Enzo.

"Os momentos em que conhecemos discos como os Bichos de Sete Cabeças, do Itamar (os primeiros que chegaram até nós), ou o Corredor Polonês, do Patife, ou o Clara Crocodilo e Gigante Negão, do Arrigo, foram cruciais pra nossa concepção de música, de arranjo, de canção, de representação de mundo. Sabe aquilo de um disco mudar a sua vida?"

O belo e o sujo. Além dos irmãos Barnabés, eles já tocaram no Conexão com Otto, Arthur de Faria, Clara Averbuck e outro titã, Arnaldo Antunes. Hoje vão tocar com Miklos, músicas do segundo álbum (Nome Próprio e O Rato) e do repertório do Titãs (A Verdadeira Mary Poppins, Diversão e Bichos Escrotos).

"São músicas que têm a ver com esse universo da banda, meio porrada-submundo-sujeira, meio hedonista, meio esquizofrênico", diz Enzo. "E a gente sempre curtiu muito o Paulo e os Titãs. A coisa direta que eles têm, a pancada precisa no verso, no canto. A história de chacoalhar com as instituições, como fazem principalmente no Cabeça Dinossauro. E o Miklos é uma grande figura, um grande cantor. E o trabalho dele como ator também é das coisas grandes da arte. Ele tem uma energia destruidora, ao mesmo tempo punk e elegante, que acho que vai dar uma mistura muito interessante com a gente."

Esse mix entre a sujeira e a beleza, que o próprio nome da banda explicita, deve continuar no próximo trabalho, que começa a ser concebido para lançamento em 2012. "Não que isso seja uma regra, mas a gente não abre mão da liberdade criativa. Por isso, pode pintar coisa melódica, coisa ruidosa, separadas ou em conjunto. Desde que seja verdadeiro pra gente (e não é uma verdade única), nós fazemos", diz o vocalista. Uma das novas canções, Fim do Mundo vai estar no show de hoje.

Para Enzo, a música mineira vive um momento importante. "Minas é privilegiada em relação a outros Estados em termos de política pública para cultura, vide a Lei Estadual de Incentivo e o Programa Música Minas. Qualidade estética não falta, temos grandes artistas." Porcas Borboletas é uma boa prova disso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.