Masao Goto Filho/Estadão
Masao Goto Filho/Estadão

Condomínio mantém shows, feira e espetáculos na zona oeste de SP

Desde 2009, espaço mantém uma programação especial, além de parcerias com artistas e moradores da região

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2016 | 16h00

“Eu tenho o número nove na cabeça.” Foi essa a quantidade de caçambas que saíram carregadas de entulho do extinto Hospital Vila Anglo Brasileira, conta Kako Guirado, um dos responsáveis pelo Condomínio Cultural. O espaço situado entre os bairros de Perdizes e Lapa já serviu como um grupo escolar entre 1935 e 1955, quando então foi transformado no Hospital e Maternidade São Marcos. “Alguns moradores do bairro vêm nos contar histórias de familiares que nasceram ou deram à luz nessas salas”, recorda.

Hoje, as mais de 600 pessoas que circulam pelo local todo mês não estão doentes ou grávidas. Desde 2009, o espaço mantém uma programação de shows musicais, espetáculos, feiras e contação de histórias, além de parcerias com artistas e moradores da região.

Guirado explica que, antes de adquirir o conjunto de 970 m² – entre salas, ateliês de trabalho, oficina, mais gramado e uma horta –, o logradouro estava abandonado desde 1995. “O hospital passou a atender idosos, mas, com a morte do médico responsável, as atividades foram encerradas.”

Além da arquitetura mantida, o que não foi embora nas nove caçambas inaugurou a sala Memorial, que expõe objetos como potes antigos para armazenamento de substâncias, ferramentas e radiografias.

Guirado conta que a ocupação do Condomínio foi gradual, pois havia a necessidade de consertos e reformas na parte elétrica. “Na época, reunimos colegas e realizamos o Piquenique Cultural, um mutirão para os primeiros ajustes. Foi a primeira ação no Condomínio.” Hoje, uma das salas serve de escritório para o cenógrafo Márcio Medina e artistas de fotografia, cinema, música e visuais. “No início, a gente não tinha clareza do que poderíamos fazer com tanta coisa, mas estava certo de que o espaço serviria para abrigar o desenvolvimento de trabalhos artísticos e para ser espaço de diálogo com a comunidade”, conta uma das gestoras Géssica Arjona. “Não tinha um modelo pronto, apenas um espaço fértil para criadores que queriam trabalhar em conjunto.”

Ao longo dos anos, muitos artistas passaram e uns outros tantos permaneceram. Ao todo, os 13 gestores são responsáveis pela administração do espaço e das despesas de água, luz, IPTU e internet, além de conduzir suas próprias pesquisas.

Uma vez por mês, a marionetista Juliana Notari comanda o Cabaré Insólito, um encontro entre artistas e seus bonecos. Por noite, o público adulto pode acompanhar cerca de oito apresentações de circo e manipulação de marionetes. “É insólito porque buscamos formar uma plateia. Ainda existe muito preconceito com essa linguagem. Não é somente coisa de criança”, ressalta.

Há também uma programação de música experimental chamada Quarta Aumentada e ainda o Conta Contos, voltado para histórias para crianças. “A partir dessas relações com diferentes públicos conseguimos reformular nossos trabalhos e seguir em frente”, explica o ator da Cia do Liquidificador Fábio Spila.

Algumas propostas da programação do Condomínio são iniciativas dos moradores do bairro, acrescenta Géssica. “Cedemos o espaço para rodas de capoeira e ioga para a terceira idade, por exemplo.” O gramado também é local para feiras de alimentos orgânicos e arte impressa. Nos eventos à noite, há petiscos e o bar fica aberto.

Sem apoio ou patrocínio, os gestores do Condomínio compreendem a sustentabilidade como o principal desafio, explica Guirado. “Buscamos maneiras de nos manter, de atrair investidores para que entrem em um projeto que já está em andamento”, relembra ainda.

Em 2017, a missão é dialogar ainda mais com o público. Entre as ações, a casa planeja a criação de um jornalzinho. Seu nome? Prontuário.

PROGRAMAÇÃO

Quarta Aumentada

Projeto com shows de música experimental

Cabaré Insólito

Cenas curtas de teatro de bonecos e marionetes 

Conta Contos

Contação de histórias para o público infantil

Tudo o que sabemos sobre:
HospitalCondomínioMárcio Medina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.