Concurso de contos já tem vencedores

O jornalista Marcelo Duarte, o poeta Moacir Amâncio, a professora universitária Berta Waldman e o publicitário André Laurentino, todos escritores e ativos defensores da boa literatura, reservaram a manhã da última quarta-feira para uma tarefa muito especial. Reuniram-se na sede do Estadão para uma difícil missão: decidir, entre os 1.022 inscritos, quais os dez melhores contos sobre futebol para publicação em edição especial, coordenada pelo Caderno 2. A data da publicação dos contos selecionados já foi determinada: sábado que vem, dia 3, seis dias antes do início da Copa do Mundo.Depois de ler, reler, debater e argumentar, os quatro jurados tomaram uma decisão soberana: se o tema é futebol, então o número certo para publicação não seria 10, mas 11 contos, ou seja, um time completo de bons textos. A comissão organizadora foi consultada e assumiu a decisão do júri: 11 contos terão lugar garantido no suplemento especial do dia 3 (saiba quais no quadro ao lado).Por decisão dos organizadores, todos os 1.022 contos inscritos chegaram ao quarteto de jurados sem identificação de autoria, para que nenhum detalhe da biografia dos autores influenciasse na escolha. Com a lista pronta dos 11 escalados, verificou-se que coincidentemente todos os autores são do sexo masculino - ainda que a participação feminina no concurso tenha sido massiva.CritériosO conto Sándor, de Roberto Vieira da Silva, morador de Camaragibe, em Pernambuco, entrou na lista por sua atmosfera absorvente, seu recorte inusitado da realidade, segundo os jurados. Por Todos os Tempos, do funcionário público Caio Silveira Ramos, trata de forma sensível uma relação pai-filho, com pano de fundo nas copas de 50, 82 e 94.La Mano de Diós, de Fábio Duarte, de Curitiba, atraiu o júri pelo tratamento do "imponderável e do acaso interferindo no jogo da vida". Sobre Canários e Papagaios, do professor paulistano Rogério Augusto, tem um "bem resolvido exercício de síntese, com linguagem tensa e belo fluxo de consciência".Outro professor de São Paulo, Jeosafá Fernandez Gonçalves, escreveu Narração Esportiva, escolhido pelo "ritmo que tenta mimetizar uma narração de jogo, sem ponto final nem parágrafo". Muito bem construído, Fim de Jogo, de Luiz Carlos de Souza, de São Paulo, contempla personagens de uma classe social simples, com bom humor popular. Também de São Paulo, Fernando Kinas caprichou na introspecção em El Pibe, encantando a comissão julgadora.O Dia em Que Fomos Meninos, de Jorge Eduardo Borralho Machado, de São João do Meriti, Rio, usa como pano de fundo um jogo de 1969, no Congo, em que uma guerra teve de ser interrompida para que todos pudessem ver Pelé em campo. A Cacetada do Chico Sumé, de Antonio Tavares da Silva Filho, morador de Pindamonhangaba, é uma "bela experiência de linguagem caipira, que se sustenta até o fim, sem cair no jocoso ou preconceituoso". Álbum de Figurinhas, de Emmanuel RPD Silva, coincidentemente outro de Curitiba, cativou pela idéia de que completar um álbum de colecionador significa terminar a vida e, portanto, deixa a sensação de que sempre é melhor não conseguir todas as figurinhas. Waldir Lau, de Belo Horizonte, venceu com Porteiro Noturno, "o mais bem-humorado" entre todos os inscritos. Tudo isso poderá ser conferido no Estado, sábado que vem.A escalaçãoSándor, de Roberto Vieira da Silva. De Camaragibe, Pernambuco. Por Todos os Tempos, de Caio Silveira Ramos. De São Paulo. Álbum de Figurinhas, de Emmanuel Silva. De Curitiba, Paraná. Porteiro Noturno, de Waldir Lau. De Belo Horizonte, Minas Gerais. O Dia em que Fomos Meninos, de Jorge Eduardo Machado. De São João de Meriti, Rio de Janeiro. A Cacetada do Chico Sumé, de Antonio Tavares da Silva Filho. De Pindamonhangaba, São Paulo. Sobre Canários e Papagaios, de Rogério Augusto. De São Paulo. Narração Esportiva, de Jeosafá Fernandez Gonçalves. De São Paulo. Fim de Jogo, de Luiz Carlos de Souza. De São Paulo. El Pibe, de Fernando Kinas. De São Paulo. La Mano de Diós, de Fábio Duarte. De Curitiba, Paraná.

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