'Conciliar as atividades de spalla e maestro é quase impossível'

Cláudio Cruz. Spalla da Osesp e maestro, regente da Sinfônica de Ribeirão Preto

, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

Spalla da Osesp há 20 anos, Cláudio Cruz tem se dedicado cada vez mais à regência. Na conversa com o Estado, ele fala do trabalho como maestro, da dificuldade de conciliar as atividades - e sobre a possibilidade de deixar o posto de spalla.

O senhor fará a estreia do concerto de Ronaldo Miranda. O que pode nos contar sobre a peça?

A peça foi escrita especialmente para esse concerto, é uma obra para violino e orquestra com 4 movimentos. O primeiro, Prólogo, faz dialogar orquestra e violino, de forma bem distinta. O segundo, Discurso, é mais equilibrado, mais melódico e diversificado. Reflexão, o terceiro, é um pouco mais moderno, com algumas dissonâncias e uma grande diversidade de cores, diferentes texturas. E o Epílogo utiliza motivos neofoclóricos, brasileiros, e a parte do violino é mais virtuosística.

Em que medida a experiência como maestro ajuda na hora de estrear uma obra como essa?

O fato de estar ambientado com as partituras completas de orquestra me dá uma visão mais ampla da obra. E no momento que atuo como solista eu consigo, além de tocar, interagir com os músicos como se estivesse regendo também. Atualmente, me dedico mais à regência estudando as obras grandiosas de Mahler, Bruckner, óperas e balés. O violino continua como fonte de inspiração.

Como e quando surgiu o desejo de trabalhar como regente?

Eu sou spalla de orquestra desde os 16 anos. Comecei a trabalhar com orquestra de câmara sem regente aos 22 anos, na qual liderava a orquestra sentado como spalla. Em um determinado momento algumas orquestras começaram a me convidar para dirigi-las a exemplo do que já fazia há anos nas orquestras de câmara. Nasceu dessa forma, de maneira natural. Adoro reger ópera, peças novas, fazer encomendas a compositores.

Os concertos desta semana marcam seus 20 anos como spalla da Osesp. Que balanço pessoal faz desta trajetória?

Desde o primeiro dia que toquei na orquestra, eu procurei tocar como se estivesse tocando uma sonata ou um concerto. Dia após dia estudo detalhadamente as partituras que irei executar. Procurei sempre manter em dia os solos de spalla. Tenho muito orgulho deste procedimento, procuro ensinar isso para os meus alunos.

Como é conciliar a regência

com o ofício de spalla?

Muito difícil, quase impossível, até porque tenho viajado muito. Neste ano vou reger no Japão, no Uruguai, na França.

O senhor imagina que um momento chegará em que uma opção precisará ser feita?

Com certeza, para se ter uma ideia, em 2001 toquei 12 concertos com orquestra; em 2010, regerei 54 concertos. / J.L.S.

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