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Vanessa Barbara
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Comunistas entre nós

Tenho uma obsessão inexplicável pela Guerra Fria, esse período em que ninguém sabia ao certo se ia acordar vivo e se o Khruchev bateu ou não o sapato na mesa durante a Assembleia Geral das Nações Unidas; uma época em que a polarização política foi tão extrema que quase levou o planeta à autodestruição.

Vanessa Bárbara, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2015 | 02h00

O conflito rendeu uma tonelada de filmes, entre os quais podemos citar O terceiro homem (1949), Sob o domínio do mal (1962), Dr. Fantástico (1964), O espião que veio do frio (1965), Jogos de Guerra (1983), Caçada ao Outubro Vermelho (1990), A Casa da Rússia (1990), Adeus, Lenin (2003), Boa Noite e Boa Sorte (2005) e A Vida dos Outros (2006). O mais recente é Ponte de Espiões, em exibição nos cinemas.

Por coincidência, recentemente foram lançadas duas séries de TV sobre o tema: a norte-americana The Americans, do canal FX, que pode ser vista no Netflix, e a alemã Deutschland 83, da RTL e SundanceTV, sem previsão de passar no Brasil. Ambas são recomendadas para quem se interessa pelo assunto, e curiosamente formam uma cronologia involuntária.

The Americans é uma produção tipicamente americana, com muitas cenas de ação e reviravoltas. Conta a história de um casal de espiões da KGB infiltrado nos Estados Unidos, que de repente tem de lidar com a chegada de um vizinho do FBI. A série foi escrita por um ex-agente da CIA e possui detalhes engenhosos como desertores que são espiões duplos ou triplos, esquemas de escuta sofisticados e sobretudo estratégias de engenharia social para manipular os inimigos. 

Philip e Elizabeth não precisam apenas derrubar o capitalismo, mas lidar com o humor dos dois filhos no limiar da adolescência. Tanto o lado capitalista quanto o comunista são vistos com uma forte carga de cinismo, restando a mensagem de que pouco importa a ideologia por trás das ações, pois ambos os lados se comportam de forma imoral e violenta.

Concluída em abril, The Americans exibiu até agora três temporadas de treze episódios, e o último deles termina justamente em 1983, que é quando começa a série Deutschland 83. Impressiona pela audaciosa estética, que alguns críticos chegaram a comparar à de Mad Men. A sinopse é similar à de The Americans: Martin é um jovem da Alemanha Oriental escalado pela própria tia para atuar como espião infiltrado na Alemanha Ocidental. A diferença é que ele não tem treinamento e, pelo menos no início, faz muita bobagem. Mais adiante, vira uma espécie de super-herói, chegando a atravessar a fronteira levando material clandestino, testemunhar um atentado a bomba, matar um espião e doar um rim, tudo no mesmo dia. 

A série acabou de ser exibida em agosto nos EUA e só no dia 26 será veiculada na Alemanha. Os criadores têm planos para mais duas temporadas: Deutschland 86 e Deutschland 89.

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