Comunidade judaica quer vetar carro do Holocausto no Carnaval

No meio da festa de cores doCarnaval, um carro alegórico preto e marrom com esculturas dedezenas de cadáveres já cria polêmica antes de entrar naavenida. A alegoria da Viradouro representando o Holocaustopromete ser a grande sensação da Sapucaí, mas a sociedadejudaica quer vetar seu desfile. A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj)decidiu enviar uma carta à escola de samba pedindo que o carroseja vetado, por considerar que ele poderia "banalizar" oHolocausto. "Vamos enviar uma carta à escola hoje e pedir que de fatonão saiam com o carro, que eles façam uma reflexão sobre oassunto", disse à Reuters o presidente da Fierj, SérgioNiskier, nesta segunda-feira, um dia depois da data mundial emque se lembra a execução em massa de judeus. "De fato, não tem nenhum sentido tratar desse assunto combaterias e mulatas, quando ainda existem sobreviventes daquelehorror e muitos dos seus descendentes, que trazem na pele amarca dessa tragédia", acrescentou Niskier. O carro do Holocausto faz parte do enredo "É de Arrepiar",sob comando do carnavalesco Paulo Barros. A escola vai abordarem seu desfile as diversas formas de arrepio, segundo ocarnavalesco, desde o arrepio do cabelo até o arrepio causadopor uma execução. A alegoria está dependendo apenas dos retoques finais. Oscorpos esqueléticos aparecem amontoados, referindo-se à mortede milhões de pessoas vítimas da política de extermínio deAdolf Hitler durante a 2a Guerra Mundial. A despeito da carta, que a escola afirmou não ter recebidoaté o início da tarde desta segunda, Barros garante que o temafoi abordado em uma reunião há três meses com Niskier, e que àépoca não houve qualquer tipo de reclamação. Niskier confirma oencontro, mas diz que fez um pedido de reflexão "sobre aconveniência de ter o carro no enredo". "O carro é extremamente respeitoso, é um alerta, é umarrepio que a gente não quer que aconteça mais", afirmou Barrosà Reuters em entrevista no barracão da escola. "Nós estamos em um país democrático, onde não existecensura, então acho que o carro tem que ser vistoprincipalmente como um alerta e como uma lembrança para queisso fique bem vivo na memória das pessoas." O carnavalesco, que no ano passado levou a Viradouro aoquinto lugar do Carnaval carioca, disse que terá que avaliarcom o presidente da escola, Marco Antônio Lira, o eventualpedido da federação. De qualquer forma, "acho que politicamente o carro é muitofeliz, socialmente também, é um acontecimento histórico". Barros disse ainda que o carro alegórico do Holocaustopassará pela avenida sem nenhum componente. "Se tivesse alguém sambando em cima dos mortos aí sim seriaum desrespeito", completou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.