Comprometimento e talento no maduro trabalho de estreia

Crítica: João Marcos Coelho

O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2012 | 03h07

JJJJ ÓTIMO

JJJJJ EXCELENTE

A Camerata Aberta só continua existindo por causa do apoio do Sesc, seja viabilizando concertos nas unidades de Vila Mariana, Belenzinho, Pinheiros e Bom Retiro, seja produzindo este CD em condições técnicas e artísticas profissionais. Pois profissionalismo e dignidade é o que em geral faltam às produções de música nova, que se concretizam só por causa da entrega dos próprios compositores e músicos.

É esta distorção que nos faz conhecer melhor, por exemplo, os jovens compositores europeus e norte-americanos do que os brasileiros. Nomes como John Adams, Osvaldo Golijov e Thomas Adès circulam bem por aqui. Mas compositores brasileiros mais jovens, como Sérgio Kafejian e Rodrigo Lima, jamais teriam uma chance dessas de chegar ao disco com qualidade. Sobre Paranambucae, do primeiro, e Quando se Muda a Paisagem, do segundo, foram testadas e amadurecidas em concertos. E surgem agora em leituras maduras, de referência.

Mesmo nomes importantes como Silvio Ferraz ou Roberto Victorio, de geração anterior, tinham até dois anos atrás pouca ou nenhuma exposição entre a opinião pública. Do primeiro, Window Into the Pond, e Araés, do segundo, provam que possuímos criadores tão bons quanto os badalados nomes citados acima. Pena que não têm chance de escrever para orquestra sinfônica, uma crueldade com talentos como Ferraz e Victorio.

Há três peças de confronto pra botar respeito nos círculos internacionais. Spiri, do italiano Franco Donatoni; Distema, do alemão Oliver Schneller; e Águas Marinhas, do português Miguel Azguime. Completando o círculo virtuoso, é excepcional e meticulosa a regência de Bourgogne. E estão impecáveis, tanto no quesito comprometimento quanto no de talento, os integrantes da Camerata.

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