Imagem Fábio Porchat
Colunista
Fábio Porchat
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Compreensível

Boa noite. Eu sou Rey Shariman e está começando mais um Jornal Especial. E em Campinas, homem ateia fogo em agência bancária após o banco lhe dizer que suas dívidas haviam aumentado em 40% só por conta dos juros. Dois seguranças morreram e duas caixas estão internadas em estado grave. É uma atitude extrema que mexe com a vida de inocentes, mas é até compreensível a revolta deste homem que está cansado de ser tratado como otário pelos bancos mafiosos que a cada ano lucram mais e mais dinheiro à custa do trabalhador de bem.

FÁBIO PORCHAT, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2014 | 02h13

E na capital paulista, mulher é estuprada. Leila, 39 anos, andava tranquilamente pela Avenida Paulista às 11 da noite, quando o estuprador a abordou. Claro que o estupro é condenável, mas também, com a roupa que ela estava usando é compreensível que o sujeito quisesse se engraçar pra cima dela. Um batom vermelho chamativo, um salto alto desnecessário para aquela hora da noite, fica difícil para um bandido se segurar.

E na Síria, um homem-bomba se explodiu na frente da praça principal de Damasco, matando 30 pessoas, entre elas, 12 crianças. Realmente, a situação síria é muito complicada e cada vez mais pessoas inocentes pagam por uma guerra sem cabimento. Mas também, com a violência correndo solta, é compreensível que um homem de bem, cansado de sofrer e de ver sua família na pobreza absoluta queira tomar alguma atitude forte e, se explodir, talvez seja o único meio de ele se fazer ouvir num país que tem a lei da mordaça como lei absoluta.

Futebol. A torcida organizada do Vasco se envolveu em mais um quebra-quebra. Entrou em confronto com a PM. Carros depredados e lojas apedrejadas foram alguns dos estragos dessa batalha que culminou em 2 mortos e 18 feridos. Selvageria. Barbárie. Claro, que com os erros de arbitragem que veem acontecendo contra o Vasco, torna-se até compreensível a revolta da torcida que está cansada de ver seu time ser prejudicado e de não ver nenhum tipo de punição para os responsáveis. A revolta é uma forma de demonstrar que o torcedor de bem quer é futebol e não ladroagem.

E na cidade de Bauru, moradores espancaram um guarda municipal após ele multar uma carreta que fazia mudança em um bairro nobre da cidade. O marronzinho está internado em estado grave. É inacreditável a violência endêmica que assola esse país. Mas é até compreensível que os brasileiros se irritem com a indústria da multa que se instaurou nesta nação e descontem sua fúria assim. Milhões de reais vão todos os dias para os bolsos de instituições que enriquecem à custa do trabalhador. O ódio da população para com o guarda é só um reflexo da impotência do povo diante da bandalheira que corre solta. E se você se apiedou desse multador, lanço aqui uma campanha: faça um favor para o Brasil, adote um CET. A gente volta depois dos comerciais!

Tudo o que sabemos sobre:
Fábio Porchat

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.